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Correio da Manhã

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Bolsonaro cancela novo programa social e critica equipa económica por querer reduzir benefícios

Presidente brasileiro tinha idealizado programa e gostava de o deixar como uma marca positiva do seu governo.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 16 de Setembro de 2020 às 12:48
Jair Bolsonaro
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O presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, anunciou esta terça-feira num vídeo publicado nas suas redes sociais o cancelamento, pelo menos até 2022, último ano do seu atual mandato, do lançamento do programa social "Renda Brasil", que tinha idealizado e gostaria de deixar como uma marca positiva do seu governo. O governante criticou severamente a equipa económica, que é comandada pelo ministro Paulo Guedes, mas sem citar ninguém, por querer financiar o "Renda Brasil" à custa da diminuição do valor pago a reformados e a desempregados.

"Até 2022, no meu governo, está proibido falar a palavra "Renda Brasil". Vamos continuar com o "Bolsa Família" e ponto final", disparou Bolsonaro depois de anunciar o cancelamento do programa, fazendo em seguida críticas às propostas do Ministério da Economia para a área social. "Congelar reformas, cortar auxílio para desempregados, pobres, idosos e pessoas com deficiência é um devaneio de alguém que está desconectado da realidade brasileira. É gente que não tem o mínimo de coração, que não tem o mínimo de entendimento de como vivem os reformados brasileiros", defendeu. 

A irritação de Jair Bolsonaro com a equipa económica respondeu à mais nova proposta da pasta para financiar o "Renda Brasil". Domingo, após outras propostas, algumas avançadas por Paulo Guedes, o secretário de Fazenda, Waldery Rodrigues, disse que o governo estudava não reajustar as reformas por dois anos e reduzir o valor do subsídio de desemprego e das pensões destinadas a deficientes para conseguir financiar o "Renda Brasil".

O novo programa social, que substituiria o "Bolsa Família" criado pelo ex-presidente Lula da Silva, pretendia aumentar o valor dos benefícios recebidos pelas famílias mais pobres e ampliar o universo de famílias que receberiam a nova ajuda. Bolsonaro sonhava deixar esse programa como marca e legado da sua gestão e, com o aumento do universo de beneficiados, garantir votos na sua já declarada intenção de disputar a reeleição em 2022, mas, ao contrário de uma solução, o "Renda Brasil" tornou-se um problema.

O ministro da Economia, que tem exibido uma total insensibilidade para questões sociais, irritou Bolsonaro várias vezes tentando retirar de outros benefícios sociais o dinheiro para custear o novo programa. Bolsonaro, em alta na popularidade, ao perceber com os apoios que deu durante a pandemia que o social lhe poderia garantir um apoio popular que nunca teve, decidiu investir a sério nessa área, desautorizou Guedes várias vezes e deixou claro que não vai permitir que se ajudem uns pobres tirando auxílio de outros.
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