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Bolsonaro chama "idiotas" a alunos e professores que protestam contra cortes na educação

Corte de verbas para as universidades e institutos federais brasileiros foi anunciado pelo novo ministro da Educação.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 15 de Maio de 2019 às 19:07
Jair Bolsonaro, Presidente do Brasil
Jair Bolsonaro, presidente do Brasil
Jair Bolsonaro
Jair Bolsonaro, Presidente do Brasil
Jair Bolsonaro, presidente do Brasil
Jair Bolsonaro
Jair Bolsonaro, Presidente do Brasil
Jair Bolsonaro, presidente do Brasil
Jair Bolsonaro

O presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, chamou esta quarta-feira de "idiotas úteis" milhares de estudantes, professores e funcionários de universidades que protestaram em várias cidades do Brasil contra os cortes de verbas da Educação determinados pelo governo. Bolsonaro fez a declaração ofensiva ao chegar ao hotel onde vai ficar hospedado em Dallas, no estado norte-americano do Texas, onde foi receber um prémio.

"A maioria ali (nos protestos que se espalharam por todo o Brasil) é militante. Se você perguntar a fórmula da água não sabem, não sabem nada. São uns idiotas úteis que estão a ser usados como massa de manobra por uma minoria espertalhona que compõem o núcleo das universidades federais no Brasil", disparou o governante ao ser indagado por jornalistas sobre os protestos contra a redução de verbas para a Educação.

O corte de verbas para as universidades e institutos federais brasileiros foi anunciado pelo novo ministro da Educação, o economista Abrahan Weintraub, e será de 30% a 50%, dependendo da instituição. Weintraub afirmou que tinha determinado o corte porque, na opinião dele, as universidades públicas pareciam ter dinheiro a mais, pois estavam a gastar com "balbúrdia", referindo-se a eventos culturais e palestras e seminários para os quais foram convidados entidades e movimentos de vários quadrantes políticos, nomeadamente de esquerda.

Muitos reitores já avisaram o governo que os cortes profundos nos orçamentos podem fazer com que várias universidades sejam obrigadas a fechar antes do final do ano lectivo. Além desses cortes, Weintraub e Bolsonaro também determinaram a redução do número de cursos como Filosofia e Sociologia, sob a alegação de que só servem para satisfazer intelectuais de esquerda e que não têm qualquer função prática na vida dos brasileiros que querem realmente trabalhar.

Bolsonaro foi aos EUA receber o prémio de Personalidade do Ano, que lhe foi atribuído pela Câmara de Comércio Brasil-EUA. O prémio deveria ser entregue no Museu de História Natural, em Nova Iorque, como acontece há décadas, mas o museu recusou receber o brasileiro, o mesmo tendo feito um hotel para onde a organização tentou transferir o evento, e o autarca novaiorquino, Bill de Blásio, também veio a público dizer que o presidente brasileiro não era bem vindo à cidade, classificando Bolsonaro como "um ser humano perigoso para o mundo" pelas suas idéias radicais contra o ambiente e as minorias.

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