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Bolsonaro diz em comício no Rio de Janeiro que o Brasil está à beira de uma ditadura e elogia Elon Musk

Antigo presidente evitou ataques diretos ao Supremo Tribunal Federal.

21 de abril de 2024 às 17:18

Numa manifestação realizada este domingo na famosa Praia de Copacabana, zona sul da cidade do Rio de Janeiro, o ex-presidente Jair Bolsonaro, acusado de em 2022 ter planeado dar um golpe de Estado, inverteu os papéis e afirmou à multidão que o ouvia que agora é que o Brasil está à beira de uma ditadura mas que ele continuará a lutar pela liberdade. No discurso, o antigo presidente evitou ataques diretos ao Supremo Tribunal Federal, STF, onde tramitam diversos processos que podem levá-lo para a prisão, e enalteceu o bilionário Elon Musk, que nas últimas duas semanas desencadeou fortes ataques contra aquele tribunal.

Bolsonaro, num longo discurso com mais de meia hora em que tomou cuidado com as palavras e evitou as frases contundentes e polémicas que habitualmente usa, afirmou que está em curso no Brasil um processo para calar a voz dos verdadeiros democratas, referindo-se aos seus seguidores de extrema-direita, e que se não fosse a luta dele e dos que o apoiam, o Brasil já estaria a viver numa brutal ditadura de esquerda. Inúmeras vezes, sem o citar nominalmente ou o insultar, como fez em outras ocasiões, Jair Bolsonaro criticou decisões do juiz do STF Alexandre de Moraes, que comanda os processos contra ele, principalmente as determinações do magistrado de bloquear contas e conteúdos de extremistas de direita na plataforma X, o antigo twitter, que dessiminavam discursos de ódio e notícias falsas.

E, citando várias vezes o dono da plataforma, Elon Musk, como um homem que teve a coragem de mostrar ao mundo o elevado risco do fim da liberdade de expressão que o Brasil corre atualmente, Bolsonaro pediu uma salva de palmas para o multimilionário, sendo atendido pela multidão. Musk tem usado o próprio X para endossar o discurso de Bolsonaro e da ala mais radical da extrema-direita brasileira, chamando o juiz Alexandre de Moraes de "ditador brutal" e de "ameaça ao mundo livre e democrático" por, segundo ele, o magistrado estar a comandar um grande esquema que tenta reimplantar a censura no Brasil, tentando calar as vozes dos que contestam o atual governo, presidido por Lula da Silva, e tem incentivado o Congresso brasileiro a destituir o juiz.

Escolhido para desferir os ataques mais fortes contra o Supremo Tribunal Federal e, principalmente, contra Moraes, o pastor evangélico Silas Malafaia, da Assembleia de Deus, disparou que o magistrado é atualmente a maior ameaça à democracia e à liberdade no Brasil. Malafaia foi mais longe, chamou "frouxo" ao presidente do Congresso, senador Rodrigo Pacheco, por se recusar a instaurar um processo para destituir Alexandre de Moraes do STF, e ainda sugeriu que os comandantes do Exército, Marinha e Força Aérea renunciassem aos cargos para que o Brasil pudesse realizar sem qualquer pressão uma investigação que provasse, sempre segundo o exaltado pastor, que Jair Bolsonaro jamais tentou dar um golpe e que essa acusação é uma forma de o fazer calar e impedir que continue a denunciar as arbitrariedades da justiça e do atual governo.

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