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Bolsonaro estuda recriação do Ministério da Segurança Pública e retirada de superpoderes a Sérgio Moro

Segundo o presidente brasileiro, o antigo magistrado da Operação Lava Jato vai ser contra o desmembramento.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 23 de Janeiro de 2020 às 15:02
Bolsonaro
Bolsonaro FOTO: Adriano Machado / Reuters

O presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, confirmou esta quinta-feira estar a estudar a recriação do Ministério da Segurança Pública, que atualmente faz parte do Ministério da Justiça e está sob o comando do ex-juiz Sérgio Moro. Se esse desmembramento se concretizar, retirará os superpoderes que Moro tem hoje, por isso, segundo o próprio presidente, o antigo magistrado da Operação Lava Jato com certeza vai ser contra.

"Isso está a ser estudado. Estudado com o Moro. É lógico que o Moro deve ser contra, mas isso está a ser estudado também com outros ministros."-Declarou Bolsonaro a jornalistas à saída do Palácio da Alvorada, a residência oficial em Brasília.

De acordo com Jair Bolsonaro, a recriação do Ministério da Segurança Pública, que existiu durante o governo de Michel Temer e foi extinto por Bolsonaro para reduzir o número de pastas do seu governo e dar estatuto de superministro a Moro, é um pedido insistente de vários sectores da sociedade, nomeadamente do Congresso e de governos regionais. Mas Bolsonaro afirma que Moro não terá razão para reclamar, uma vez que, ao ser convidado para fazer parte do governo, o inicialmente previsto era que fosse apenas ministro da Justiça, o que, se quiser, continuará a ser.

"Se for criado (o Ministério da Segurança Pública) aí ele (Moro) fica na Justiça. É o que era inicialmente. Tanto é que, quando ele foi convidado, não existia ainda essa modulação de fundir o Ministério da Justiça com o da Segurança."-Justificou o governante, já antevendo dificuldades com o seu principal ministro.

Se efetivamente o novo ministério for criado e Sérgio Moro ficar apenas com a pasta da Justiça, Bolsonaro acertará dois alvos com um único tiro. Ao mesmo tempo que agradará ao Congresso e aos governadores, retirará os principais poderes e boa parte da visibilidade a Moro, que se destaca cada vez mais no governo e surge a cada dia como potencial adversário de Bolsonaro nas presidenciais de 2022.

Sondagens divulgadas recentemente mostram que Moro tem uma avaliação popular 23 pontos maior do que a atribuída a Bolsonaro, e outra publicada há dias revela que ele é considerado o político mais confiável do Brasil. Além do prestígio conquistado na condução da operação anti-corrupção Lava Jato, Sérgio Moro conseguiu bastante visibilidade na área da Segurança Pública ao ordenar grandes ações contra o crime organizado, com forte repercussão nos media, o que perderá se ficar limitado à função quase burocrática de ministro da Justiça.
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