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Bolsonaro pede direito de depor por escrito sobre denúncias de Sérgio Moro

Para o juiz Celso de Mello, a lei não permite que Bolsonaro, neste caso, responda por escrito.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 17 de Setembro de 2020 às 19:12
"Assim, é impossível governar o país", queixou-se Bolsonaro
'Assim, é impossível governar o país', queixou-se Bolsonaro FOTO: Direitos Reservados

O presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, recuou de uma bravata feita meses atrás sobre o assunto e pediu ao Supremo Tribunal Federal, STF, o direito de responder por escrito, e não presencialmente de viva voz, às acusações feitas pelo seu ex-ministro da Justiça, Sérgio Moro, de ter tentado intervir na Polícia Federal para proteger os filhos de investigações. Dias atrás, o juiz relator do caso no STF, Celso de Mello, determinou que Bolsonaro seja interrogado pela própria Polícia Federal presencialmente.

"Não estou a pedir nenhum privilégio, mas, sim, um tratamento rigorosamente simétrico àquele adotado para os mesmos atos em circunstâncias absolutamente idênticas em precedentes recentes do próprio STF", escreveu Bolsonaro esta quinta-feira numa rede social, sem especificar os precedentes aludidos, depois de a AGU, Advocacia-Geral da União, o órgão que defende os interesses do governo, ter interposto recurso no Supremo Tribunal contra a decisão de Celso de Mello.

A AGU e Bolsonaro alegam que este, como presidente da República, tem o direito de responder por escrito ao interrogatório da Polícia Federal sobre as denúncias feitas por Moro de que o governante pretendia trocar diretores da corporação para blindar os filhos de investigações. Bolsonaro nega essa tentativa, mas assim que Moro deixou o governo, em 22 de Abril, o presidente trocou toda a direção da corporação, nomeadamente no Rio de Janeiro, onde tramitam os inquéritos que podem atingir dois dos seus filhos, o senador Flávio Bolsonaro e o vereador Carlos Bolsonaro.

A postura de agora de Jair Bolsonaro choca com a dos tempos das denúncias. A jornalistas que o interpelaram sobre o assunto na altura, Bolsonaro negou a tentativa de interferir na Polícia Federal e garantiu que, se fosse intimado a depor sobre o assunto, tanto lhe fazia depor por escrito quanto de viva voz, pois, frisou então, um inocente não tem o que temer.

Para o juiz Celso de Mello, a lei não permite que Bolsonaro, neste caso, responda por escrito. De acordo com o despacho do magistrado, realmente chefes de Estado têm o direito de ser interrogados por escrito, mas só quando são testemunhas no processo e não quando, como neste caso, estão na condição de investigados. (FIM).

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