Presidente brasileiro convocou uma reunião extraordinária com todos os seus 22 ministros.
O ministro brasileiro da Saúde, o médico Luiz Henrique Mandetta, pode ser demitido do cargo ainda esta segunda-feira pelo presidente Jair Bolsonaro por contrariar o chefe de Estado e manter a orientação para a população continuar em isolamento social como forma de atenuar o ritmo do avanço da pandemia de Coronavírus no país, que até agora infetou mais de 11.500 brasileiros e matou mais de 500.
A informação foi avançada pelo jornal O Globo, citando duas fontes diferentes ligadas ao presidente brasileiro que falaram sob anonimato.
De acordo com essas fontes, o documento de exoneração de Mandetta já está pronto e deve ser assinado por Jair Bolsonaro no final da tarde, horário brasileiro, meio da noite em Lisboa.
Bolsonaro convocou para as 17 horas de Brasília, 20 horas em Lisboa, uma reunião extraordinária com todos os seus 22 ministros, entre eles Mandetta, e é provável que assine na ocasião a destituição do titular da Saúde.
O trabalho de Mandetta é quase uma unanimidade no Brasil, sendo elogiado por políticos e entidades de quase todos os quadrantes, pela imprensa e pela opinião pública. Esta segunda-feira, uma sondagem divulgada pelo Instituto Datafolha mostrou que 76% dos brasileiros concordam com as medidas de quarentena defendidas por Mandetta e adoptadas por governadores e autarcas em todo o Brasil contra vontade de Bolsonaro.
O presidente brasileiro, que não se tem inibido de criticar Mandetta até publicamente, é contra qualquer medida restritiva, argumenta que o Coronavírus é apenas uma "gripezinha" e que os governantes regionais que adotaram medidas de isolamento estão a tentar prejudicar o governo dele e a pensarem nas presidenciais de 2022, nas quais alguns pretendem, segundo o governante, ser candidatos contra ele, que já assumiu pretender disputar a reeleição.
Para Bolsonaro, o importante para o Brasil é preservar a economia, paralisada pelas quarentenas decretadas em estados e municípios, pois, diz o presidente, de nada serve salvar vidas se depois da pandemia os trabalhadores que foram salvos não tiverem emprefos.
Mandetta, sem entrar diretamente em disputa com Bolsonaro, tem no entanto recusado firmemente orientar as pessoas a deixarem o isolamento e a voltarem ao trabalho, como o chefe de Estado gostaria.
Em entrevista no final da semana passada, Bolsonaro já tinha ameaçado demitir Mandetta, alegando que no governo existe uma hierarquia, que quem manda é ele e que Mandetta era obrigado a cumprir as suas ordens de não defender o isolamento, ao invés de cumprir e orientar as recomendações da Organização Mundial de Saúde, OMS, que repete insistentemente que só o afastamento social pode evitar um número maior de mortes do que as muitas que todos os dias já ocorrem.
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