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Bombas contra embaixadas em Atenas

Duas encomendas armadilhadas explodiram ontem nas embaixadas da Rússia e da Suíça em Atenas, sem causar feridos, e outros engenhos foram desactivados pela polícia junto a várias outras representações diplomáticas na capital grega. A embaixada de Portugal foi evacuada devido à detecção de um pacote suspeito.

3 de Novembro de 2010 às 00:30
A capital grega viveu um dia de caos
A capital grega viveu um dia de caos FOTO: Yannis Bahrakis/Reuters

Depois de na segunda-feira uma bomba endereçada à embaixada mexicana ter explodido numa central de expedição dos correios, ferindo ligeiramente uma funcionária, e outras três cartas-bomba terem sido interceptadas, duas delas na posse de dois suspeitos, a capital grega viveu ontem, novamente, momentos de grande tensão, com alertas sucessivos em toda a cidade.

Logo pela manhã, uma encomenda-bomba explodiu na embaixada suíça e, pouco depois, outro engenho explosivo deflagrou nas instalações da representação diplomática russa. Outras duas bombas foram detectadas e neutralizadas a tempo nas embaixadas do Chile e da Bulgária, e uma terceira, igualmente endereçada à embaixada do Chile, foi desactivada junto ao Parlamento grego, após um alerta de um funcionário de uma empresa postal. Um quarto engenho, endereçado à embaixada alemã, foi detectado e neutralizado nos escritórios de uma agência postal.

Ao princípio da tarde, um pacote suspeito foi encontrado junto ao edifício da embaixada portuguesa, no centro de Atenas. O edifício, que alberga igualmente a embaixada norueguesa, foi imediatamente evacuado. "Cerca das 16h45 (14h45 em Lisboa), a segurança do edifício encontrou um volume à porta da embaixada, dirigido, em grego, ao embaixador, sem especificar qual. Foi chamada a polícia e o edifício foi evacuado", relatou o embaixador Alfredo Duarte Costa à Antena 1, adiantando que se tratou de uma medida de precaução. O diplomata luso adiantou que, à hora a que abandonou o local, os peritos procediam à neutralização do pacote, não podendo confirmar se continha, ou não, explosivos.

A polícia grega atribui a vaga da ataques a um grupo de extrema-esquerda e descartou ligações ao terrorismo islâmico.

DOIS SUSPEITOS ACUSADOS

Os dois suspeitos detidos segunda-feira em Atenas na posse de duas cartas-bomba endereçadas ao presidente francês, Nicolas Sarkozy, e à embaixada belga na capital grega foram ontem formalmente acusados de terrorismo e colocados sob prisão preventiva. Um dos suspeitos era já procurado por alegada ligação ao grupo radical Células da Conspiração de Fogo, responsável por vários ataques contra edifícios governamentais e esquadras da polícia.

"APROVEITAM A CRISE": José Mateus consultor de Inteligência Competitiva

CM - Qual a relação dos ataques com a crise social na Grécia?

José Mateus - É uma relação de aproveitamento e não de causa--efeito. E é um aviso sobre as vulnerabilidades da Europa e sobre a necessidade de ter em conta a dimensão social da crise.

- Porquê as embaixadas?

- Com ou sem a deflagração destes engenhos explosivos improvisados, as embaixadas garantem uma difusão ‘urbi et orbi' destas acções de guerra assimétrica.

- O correio está a ser meio privilegiado de ataques...

- A sua escolha garante poupança de meios próprios, o uso de um dispositivo do adversário, no caso, o estado grego, e ainda provoca dirupções em cadeia das redes essenciais da sociedade grega.

PACOTE COM EXPLOSIVOS ENDEREÇADO A MERKEL

À mesma hora a que a capital grega estava em alerta total devido ao envio de uma série de cartas-bomba, a central de correios da residência oficial da chanceler alemã Angela Merkel, em Berlim, recebia um pacote suspeito endereçado directamente à chefe do governo alemão e proveniente de Atenas. Imediatamente, o local foi evacuado e a polícia chamada, tendo o pacote sido neutralizado em segurança.

As autoridades alemãs confirmaram depois que se tratava realmente de uma bomba "capaz de provocar danos consideráveis" e relacionou o caso com os ataques na Grécia. "O que aconteceu tem de ser visto no mesmo contexto", disse o ministro do Interior, Thomas de Maizière.

A imprensa avançou que o pacote foi entregue por uma empresa de distribuição postal e tinha como remetente o Ministério da Economia da Grécia. Merkel não estava no edifício, uma vez que se encontra na Bélgica em visita oficial.

BOMBAS POR CORREIO ILUDEM SEGURANÇA

A vaga de ataques contra embaixadas e outros alvos em Atenas, bem como o recente plano da al-Qaeda da Península Arábica para derrubar aviões com bombas ocultas em impressoras, parece ilustrar uma nova tendência no terrorismo, que é a utilização do correio para enviar bombas.

As cartas armadilhadas não são propriamente uma novidade, principalmente na Grécia, mas o facto de até a al-Qaeda parecer disposta a explorar essa hipótese indica que os terroristas estão a tentar explorar formas alternativas de contornar a segurança vigente, principalmente nos aeroportos.

Como resultado, vários países, como a França, Alemanha e Reino unido, decidiram nos últimos dias reforçar o controlo de envios postais nacionais e internacionais, principalmente no que diz respeito às encomendas transportadas por avião.

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