Barra Cofina

Correio da Manhã

Mundo
2

Bombas dos EUA massacram civis

Um bombardeamento da aviação dos EUA matou dezenas de civis no Oeste do Afeganistão, naquele que poderá ter sido o maior massacre de civis desde a invasão norte-americana, em 2001. O ataque ocorreu segunda-feira mas só ontem foi divulgado, no dia em que o presidente afegão Hamid Karzai foi recebido pelo presidente Barack Obama na Casa Branca. Karzai considerou a matança "inaceitável".

7 de Maio de 2009 às 00:30
Civis procuram cadávares entre os escombros de uma das casas atingidas pelo bombardeamento dos EUA
Civis procuram cadávares entre os escombros de uma das casas atingidas pelo bombardeamento dos EUA FOTO: Reuters

Uma equipa da Cruz Vermelha Internacional que ontem de manhã visitou as duas aldeias atingidas pelo bombardeamento americano, na província de Farah, confirmou a morte de "dezenas de civis", mas não conseguiu avançar um número preciso, porque muitas das vítimas já tinham sido sepultadas em valas comuns e muitas outras continuavam soterradas nos escombros das casas atingidas.

Segundo testemunhas, os civis refugiaram-se em várias casas para escapar aos combates entre a guerrilha taliban e as forças norte-americanas e afegãs, mas as habitações foram de seguida alvejadas pela aviação dos EUA. O bombardeamento durou cerca de uma hora, e dezenas de casas foram arrasadas. O chefe da polícia local afirmou que o ataque provocou pelo menos 120 mortos, o que, a confirmar-se, faria deste o maior massacre de civis afegãos pelas forças dos EUA desde a queda do regime taliban, em 2001. Uma equipa de investigadores militares afegãos e norte-americanos foi enviada para a região.

A notícia de novo massacre de civis coincidiu com a chegada a Washington do presidente afegão Hamid Karzai, que ontem foi recebido por Obama, juntamente com o homólogo paquistanês Asif Ali Zardari. O objectivo de Obama era pressionar os dois aliados a mostrarem maior empenho e firmeza no combate aos taliban e à al-Qaeda, após os recentes avanços da guerrilha no Afeganistão e Paquistão. Obama quis ainda exortar os dois líderes a trabalhar em conjunto na luta contra o terrorismo, algo que não tem acontecido até agora.

NATO INICIA MANOBRAS NA GEÓRGIA

Mais de mil soldados da NATO iniciaram ontem na Geórgia um exercício militar de quatro semanas criticado pela Rússia como uma "provocação". O arranque do exercício, que envolve tropas de vários países da NATO e militares georgianos, ocorreu ao início da manhã, conforme o previsto, apesar da rebelião, na véspera, de uma unidade militar nos arredores de Tbilissi, que pretendia aparentemente derrubar o governo e travar as manobras da NATO.

Moscovo, que se opõe à integração da Geórgia na NATO, anunciou entretanto a expulsão de dois diplomatas da NATO como retaliação pela expulsão pela Aliança, na semana passada, de dois diplomatas russos por espionagem.

PORMENORES

7,5 MIL MILHÕES

A administração Obama vai pedir ao Congresso para aprovar um pacote de ajuda de 7,5 mil milhões de dólares aos governos do Afeganistão e do Paquistão para construir e melhorar infra-estruturas civis.

GATES EM CABUL

O secretário da Defesa dos EUA, Robert Gates, chegou ontem a Cabul para uma visita-surpresa às tropas e encontros com as autoridades locais.

PAQUISTÃO MATA 64

As forças de segurança do Paquistão mataram ontem 64 guerrilheiros taliban numa ofensiva no Vale de Swat.

Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)