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Correio da Manhã

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Bombas e ovos no Parlamento (COM VÍDEO)

Deputados da oposição transformaram ontem o Parlamento da Ucrânia, em Kiev, num campo de batalha, ao lançarem bombas de fumo e ovos contra membros do governo e contra o presidente da Assembleia, Vladimir Litvyn, que teve de abrir um chapéu-de-chuva para se proteger do inesperado ataque. Tudo por causa da aprovação da permanência da Frota Russa do Mar Negro na Crimeia.
28 de Abril de 2010 às 00:30
Cenas de pugilato e lançamento de ovos e bombas de fumo mancharam o debate parlamentar e abriram uma nova crise política na Ucrânia
Cenas de pugilato e lançamento de ovos e bombas de fumo mancharam o debate parlamentar e abriram uma nova crise política na Ucrânia FOTO: Maxim Marusenko/EPA

No passado dia 21, os presidentes russo, Dmitri Medvedev, e ucraniano, Victor Yanukovich, assinaram um acordo para a permanência da base naval russa em território ucraniano até 2042, com a possibilidade de este prazo ser prorrogado por mais cinco anos.

Ontem, os parlamentos dos dois países ratificaram o acordo, que estabelece uma redução de 30% do preço do gás russo em troca da permanência da Frota do Mar Negro por mais 25 anos do que estava anteriormente estabelecido. Com efeito, um acordo assinado em 1997 permitia que a Rússia mantivesse aquela sua frota só até 2017. Apesar da oposição, o acordo foi ratificado com 236 votos a favor, mais dez do que o necessário.

A aprovação desta concessão a Moscovo enfureceu deputados do partido das Regiões e do Bloco de Yulia Timoshenko, que lançaram cinco bombas de fumo em direcção à mesa da presidência e da tribuna reservada para os membros do governo, tornando irrespirável o ar no interior do Parlamento (Rada), mesmo depois de abertas as portas, o que obrigou muitos deputados a saírem. Não contentes, vários deputados, que vinham devidamente preparados, ainda atiraram ovos contra governantes e contra o presidente do Parlamento, que se protegeu com um chapéu-de--chuva, numa cena caricata e indigna. No exterior, milhares de manifestantes pró e contra o acordo gritavam palavras de ordem.

A oposição acusa Yanukovich de ter 'vendido' a independência da Ucrânia e promete ainda 'defender o país'.

SAIBA MAIS

TRADIÇÃO IMPERIAL

A presença da armada russa no Mar Negro data de 1783, quando a imperatriz Catarina II anexou a Crimeia e fundou Sebastopol, onde se mantém a base militar.

16 000

efectivos conta actualmente a armada russa na Crimeia para tripular 40 vasos de guerra.

REGIME DE SEBASTOPOL

A cidade tem estatuto especial: os habitantes não votam para o presidente da câmara, que é indicado pelo chefe de Estado.

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