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Correio da Manhã

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Boris Johnson enganou a União Europeia ao assinar o Brexit

Dominic Cummings afirma que o Reino Unido nunca teve intenção de respeitar o protocolo para a Irlanda do Norte, o aspeto mais contencioso do acordo.
Francisco J. Gonçalves 14 de Outubro de 2021 às 08:56
Boris Johnson
Boris Johnson
O governo britânico nunca teve a intenção de respeitar o protocolo sobre a Irlanda do Norte incluído no acordo de Brexit firmado com a União Europeia (UE). A revelação chocante foi feita ontem por Dominic Cummings, antigo conselheiro do primeiro-ministro Boris Johnson.

Numa série de tweets, Cummings diz mesmo que assinar o protocolo foi apenas uma estratégia eleitoral para tirar argumentos a Jeremy Corbyn, líder trabalhista da altura. "Limitámo-nos a definir prioridades", escreve ainda o homem que, em 2019, arquitetou a campanha vencedora de Boris. Sobre o protocolo, admite que a ideia era "deitar fora os aspetos menos agradáveis" logo que Corbyn estivesse derrotado. Contudo, desdramatiza a intenção de não respeitar o pacto. "Todos os Estados violam acordos uma vez por outra", diz.

Mas os comentários de Cummings causaram alarme na Irlanda. Leo Varadkar, atual vice-PM irlandês, que na altura liderava o governo e negociou com Boris o protocolo, acusou o PM britânico de ter agido de má-fé.

"Esta mensagem tem de ser ouvida pelo Mundo, pois se o governo britânico não honra os seus compromissos, não respeita os tratados que assina, isso aplica-se a todos os outros", alertou Varadkar, concluindo: "Todos têm de ficar a saber que este é um governo que não mantém a palavra dada."

Bruxelas faz cedências na Irlanda do Norte
A UE apresentou ontem uma série de medidas para facilitar a entrada de bens na Irlanda do Norte, mas recusa abandonar totalmente os controlos aduaneiros previstos no protocolo incluído no acordo de Brexit.

As medidas preveem, ainda assim, eliminar os controlos em 80% dos produtos, permitindo, por exemplo, a entrada de salsichas britânicas e outros bens alimentares proibidos na UE e, por isso, na Irlanda do Norte (pois daí podiam transitar para a República da Irlanda e para o resto da UE).
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