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Correio da Manhã

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BP aceita pagar 20 mil milhões

O presidente dos EUA, Barack Obama, reuniu-se ontem na Casa Branca com os responsáveis da BP e exigiu mais empenho no combate à fuga de petróleo e a criação de um fundo especial para pagar indemnizações aos afectados pela maré negra no Golfo do México. Após mais de três horas, anunciou que a BP "aceitou um acordo preliminar para depositar 20 mil milhões de dólares".
17 de Junho de 2010 às 00:30
O presidente e o director executivo da BP chefiaram a equipa recebida na Casa Branca por Obama e pelo vice-presidente, Joe Biden
O presidente e o director executivo da BP chefiaram a equipa recebida na Casa Branca por Obama e pelo vice-presidente, Joe Biden FOTO: Pete Souza/Reuters

A quantia poderá ser depositada ao longo de vários anos e o fundo deverá ser administrado por uma entidade independente, com supervisão da Casa Branca, explicou Obama, frisando: "Têm a minha garantia de que a BP vai cumprir." O presidente esclareceu ainda que a petrolífera "é também responsável pelo desastre ecológico", pelo que os 20 mil milhões não esgotam a sua responsabilidade.

A reunião foi o primeiro encontro directo de Obama com o presidente da BP, Carl-Henric Svanberg, e Tony Hayward, director executivo, desde a explosão da plataforma da BP, a 20 de Abril.

Na noite anterior, o presidente anunciou na TV as exigências à petrolífera. Esta, frisou, teve um comportamento "temerário e irresponsável", pelo que tem de indemnizar os lesados e arcar com as despesas da limpeza da maré negra, que deverá estar finalizada, assegurou, após o Verão.

"ESTA TRAGÉDIA ERA EVITÁVEL"

Representantes da indústria petrolífera estiveram no Congresso dos EUA e acusaram a BP de não cumprir as normas de segurança. "Esta tragédia era evitável", afirmou John Watson, presidente da Chevron, na audiência. O seu homólogo da ExxonMobil, Rex Tilleron, reforçou a crítica e exigiu "um inquérito de peritos, imparcial e exaustivo". Sobre o acidente, afirmou: "Resulta de uma grave distorção das normas em vigor relativas à prospecção no mar." Não negando a pertinência das críticas, os congressistas lembraram que não é só a BP a não ter planos de segurança credíveis. Aliás, os que vigoram no Golfo do México foram adaptados da prospecção no Mar do Norte, precisando de revisão urgente.

PORMENORES

NAVIO DA LISNAVE

O petroleiro ‘A Whale’, de 319 mil toneladas, foi adaptado nos estaleiros da Lisnave para participar na recolha de crude no Golfo do México.

À BEIRA DA FALÊNCIA?

Os investidores consideram que há uma probabilidade de 35% de a BP falir em cinco anos devido aos custos astronómicos da limpeza da maré negra e das multas.

SEM SEGURANÇA

Os EUA estão a investigar uma denúncia segundo a qual a plataforma ‘Atlantis’ da BP no Golfo do México não tem planos de segurança.

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