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Brasil: Condenado a 98 anos de prisão por matar namorada de 15

O Tribunal do Júri da cidade brasileira de Santo André, vizinha a São Paulo, condenou a 98 anos e 10 meses de prisão Lindemberg Alves Fernandes, de 25 anos, que em Outubro de 2008 assassinou com um tiro na cabeça a namorada, Eloá Pimentel, de 15.
17 de Fevereiro de 2012 às 17:31
O drama de Eloá comoveu na época o Brasil inteiro, que acompanhou o seu calvário em directo durante cinco dias
O drama de Eloá comoveu na época o Brasil inteiro, que acompanhou o seu calvário em directo durante cinco dias FOTO: Paulo Withaker/Reuters

Os sete jurados consideraram Lindember culpado dos 12 crimes de que era acusado e a juíza Milena Dias aplicou a cada um a pena máxima, descontando apenas as atenuantes de ele ter confessado e ser réu primário.

O drama de Eloá comoveu na época o Brasil inteiro, que acompanhou o seu calvário em directo durante cinco dias.

As principais televisões do país interromperam a sua programação normal para exibirem apenas o cerco policial ao apartamento onde Lindember fez reféns Eloá, a melhor amiga dela, Naiara, e três colegas de escola delas, até que uma desastrada invasão policial à habitação desencadeou a tragédia.

Quando a polícia explodiu, a porta e invadiu o apartamento, Lindemberg, que não aceitava a decisão de Eloá de terminar o namoro, disparou dois tiros contra ela. Um atingiu a menina na cabeça e o outro nas partes íntimas.

Naiara, que estava com ela, foi atingida por uma bala no rosto, e até hoje precisa de acompanhamento médico.



Os três rapazes que inicialmente haviam sido feitos também reféns já tinham saído do apartamento, autorizados por Lindemberg, tal como Naiara, que, no entanto, decidiu voltar ao cativeiro para apoiar a amiga.

No julgamento, que durou quatro dias e novamente suscitou grande atenção e emoção no Brasil, Lindemberg foi acusado do homicídio de Eloá, de tentativa de homicídio em Naiara e num polícia contra o qual também atirou, de cativeiro e outros.

Apesar de uma defesa mais que enfática da advogada de Lindemberg, que chegou a afirmar que a juíza não estava qualificada para um caso daqueles, os sete jurados deram o veredicto de culpado para todos os crimes.

Do lado de fora, a multidão que se aglomerou ao longo dos dias aplaudiu e gritou palavras de incentivo à mãe de Eloá. A advogada de defesa, Ana Lúcia Assad, no entanto, já adiantou que vai pedir a anulação do julgamento.

A morte de Eloá teve um outro e inesperado desenvolvimento em 2008.

O pai dela, supostamente um pacato operário, desmaiou durante o velório e as imagens foram exaustivamente repetidas pelas televisões, o que ditou o seu destino. Foi reconhecido e descobriu-se que, na verdade, era um ex-polícia supostamente ligado a um grupo de extermínio no estado de Alagoas e acusado de várias mortes e que estava fugitivo há 15 anos. Depois de se manter escondido por mais de um ano, ele foi preso.
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