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Correio da Manhã

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Brasil e Espanha tentam salvaguardar interesses

Os governos do Brasil e de Espanha reagiram com preocupação à nacionalização da indústria petrolífera da Bolívia, decretada pelo presidente Evo Morales.
3 de Maio de 2006 às 00:00
As declarações de Silas Rondeau, porta-voz do ministro brasileiro das Minas e Energia, deixam transparecer a tensão que a medida provocou: “É um gesto não amistoso que pode ser entendido como uma quebra dos entendimentos que vinham a ser mantidos com o governo boliviano.” O nervosismo de Brasil e Espanha justifica-se pelos investimentos que os dois países têm na Bolívia. Note-se que a nacionalização implica a confiscação das acções das empresas operadoras estrangeiras.
As operações da Petrobras na Bolívia correspondem a pelo menos 15% do Produto Interno Bruto (PIB) do país andino, segundo afirmou um responsável daquela empresa brasileira que, desde 1996, investiu 1500 milhões de dólares na exploração e produção de petróleo e gás. Cerca de 60% do gás natural consumido no Brasil provém da Bolívia, através de um gasoduto com 3200 quilómetros, construído pelos dois países, e que transporta 26 milhões de metros cúbicos por dia.
O ministro dos Negócios Estrangeiros, Celso Amorim, que participava, em Genebra, numa reunião da Organização Mundial do Comércio, antecipou o regresso ao Brasil para participar numa reunião de emergência com o governo.
Por sua vez, o governo espanhol convocou o encarregado de negócios boliviano, Álvaro Pozo, para manifestar a sua “profunda preocupação e dar conta das consequências nas relações bilaterais. Refira-se que estão presentes no mercado energético, eléctrico e de hidrocarbonetos da Bolívia as empresas espanholas Repsol-YPF, a Iberdrola e a Red Electrica Española.
Entre outras empresas petrolíferas estrangeiras atingidas pela medida estão as britânicas British Gas, a British Petroleum, a francesa Total e a americana Exxon Mobil.
CONSEQUÊNCIAS
REPSOL
A Repsol fechou a sessão com uma descida de 0,63 por cento, após ter caído aproximadamente 2%. O chefe do governo de Madrid, José Rodrigues Zapatero, pediu que se respeite os interesses de uns e outros.
PETRÓLEO
O barril de Brent subiu para 74,24 dólares, aproximando-se do recorde recentemente atingido de 74,69 dólares. Por outro lado, o Texas ‘sweet light’ custava 74,02 dólares no mercado de Nova Iorque.
MINAS
Além dos hidrocarbonetos, vão ser nacionalizados os sectores das minas, das florestas e dos recursos naturais. As empresas estrangeiras têm 180 dias para regularizar a situação através de novos contratos de exploração.
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