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Brasil extradita espanhol condenado a 193 anos de prisão pelo "massacre de Atocha" em 1977

Juliá foi condenado em Espanha a 193 anos de prisão, dos quais chegou a cumprir 14.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 7 de Fevereiro de 2020 às 18:52
Tribunal
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A Polícia Federal da cidade brasileira de São Paulo extraditou para Espanha um cidadão espanhol acusado de ter participado em 1977 num sangrento ataque armado em Madrid, a capital espanhola.

Carlos Garcia Juliá foi condenado em Espanha a 193 anos de prisão, dos quais chegou a cumprir 14, mas fugiu para a América do Sul durante uma saída temporária autorizada pela justiça do país espanhol.

Segundo o processo da justiça espanhola, Juliá e mais dois membros da organização de extrema-direita "Falange Espanhola" invadiram um escritório de advogados na região madrilena de Atocha que defendia sindicatos e entidades ligadas à esquerda, e abriram fogo. Cinco pessoas morreram e outras quatro ficaram gravemente feridas.

Localizado a viver em São Paulo com documentos falsos em nome de um cidadão da Venezuela, Juliá foi preso depois de Espanha ter pedido formalmente a sua extradição.

O Supremo Tribunal Federal brasileiro decretou a extradição do espanhol em 2018, mas isso só foi agora concretizado, depois de esgotados todos os recursos que os advogados de Juliá interpuseram e foram negados.

Nesses recursos, os advogados do espanhol alegaram que o ataque em que ele participou foi um ato político e que, por isso, o Brasil não o poderia extraditar para o país onde poderá sofrer sérias retaliações, já que a Constituição brasileira proíbe a extradição de acusados de crimes políticos noutros países. Mas a juíza Carmen Lúcia, que relatou o pedido de extradição formulado pela Espanha, considerou que o ataque levado a cabo por Juliá não foi um ato político mas sim um crime comum e decidiu entregá-lo a Espanha.
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