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Correio da Manhã

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Brasil investe centenas de milhões em satélites próprios

O Brasil vai investir centenas de milhões de euros no fabrico de um satélite geoestacionário próprio por empresas estrangeiras e na qualificação de profissionais brasileiros. 
28 de Agosto de 2013 às 17:28
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Brasil, milhões, satélites FOTO: Direitos reservados

O plano prevê que estes profissionais possam,  dentro de oito anos, fabricar esses satélites no país com sistemas de altíssima segurança que impeçam que sejam monitorizados por outros países, como agora ocorre. O primeiro contrato desse arrojado programa de desenvolvimento tecnológico e de aumento na segurança de dados civis e militares vai ser assinado já em setembro.

O primeiro satélite deste novo projeto aeroespacial brasileiro, denominado Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas, custará 468 milhões de euros, pesará seis toneladas, terá uma vida útil de 15 anos e será construído e lançado por duas empresas francesas. A empresa Thales Alenia Space será a responsável pelo fabrico do satélite e pelo fornecimento e montagem dos equipamentos, e a Arianespace fará o lançamento na base aeroespacial da Guiana Francesa, na América do Sul, em abril de 2016.

Quando começar a operar, o novo satélite, que já será totalmente administrado pelo Brasil, permitirá, entre outros benefícios na área civil, a chegada da internet de banda larga a mais de 2000 cidades brasileiras onde esse sistema não consegue chegar por terra dadas as distâncias e os obstáculos geográficos. Na área militar, o equipamento permitirá aumentar em 10 vezes a capacidade de transferência e armazenamento de dados, protegendo de forma efetiva informações de segurança nacional que hoje estão vulneráveis.

SISTEMA MAIS SEGURO

Atualmente o Brasil não possui nenhum satélite próprio e aluga, entre outros, o Star One, que é gerido por uma multinacional mexicana. As recentes denúncias de que agências de informações dos EUA espiaram durante anos e provavelmente ainda espiam comunicações via telefone e internet de milhões de brasileiros, levou o governo a acelerar o processo de construção deste satélite e a criar as condições para fabricar outros no futuro.

Para isso, de acordo com Sebastião Nascimento Neto, gerente da Telebrás (a empresa brasileira de telecomunicações) responsável pelo projeto, o contrato com as empresas francesas inclui uma vasta lista de condições que garantem ao Brasil a transferência de tecnologia aeroespacial, para que o país possa começar a construir o seu próprio satélite em 2021, e lançá-lo no Espaço desde a Base Aeroespacial de Alcântara, no litoral do estado do Maranhão, em 2024.

Para garantir essa transferência de tecnologia, entre 100 e 150 especialistas brasileiros de ponta passarão os próximos dois anos na França, acompanhando a par e passo todas as fases do fabrico do satélite a ser lançado em 2016, bem como dos softwares que o equiparão.

Dia 22 de agosto de 2003, a explosão de um foguete durante o lançamento na base de Alcântara provocou a morte de 21 pessoas e atrasou todo o processo aeroespacial. Mas, segundo Neto, até 2021, a base aeroespacial brasileira já estará totalmente reconstruída e preparada para lançar satélites geoestacionários, muito maiores do que os usados na meteorologia, por exemplo, e que já eram lançados a partir dali.

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