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Correio da Manhã

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Brasil: Nenhuma escola será rebaixada

Nenhuma escola do Grupo Especial, o principal, será rebaixada para o Grupo de Acesso nos desfiles de Carnaval deste ano no Rio de Janeiro. A decisão foi tomada conjuntamente pelo presidente da Liesa, Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro, Jorge Castanheira, e os presidentes de todas as escolas de samba. Em compensação, em 2012, serão rebaixadas duas escolas e não apenas uma, como é habitual, para reequilibrar o grupo.
8 de Fevereiro de 2011 às 13:06

A medida, proposta pelo presidente de cãmara da capital carioca, Eduardo Paes, foi tomada para não prejudicar as três escolas cujos barracões foram totalmente consumidos por um gigantesco incêndio na manhã de segunda-feira, Portela, União da Ilha e Grande Rio.

Essas escolas perderam, em conjunto, 8400 fantasias, algumas das quais demoraram meses para serem confeccionadas e custaram milhares de euros, a maior parte dos carros alegóricos e praticamente tudo o mais que já estava pronto para o desfile, que se realiza na primeira semana de Março.

Não havendo tempo nem recursos para possibilitar a recuperação de tudo o que foi devorado pelo fogo, rapidamente se chegou ao consenso de não rebaixar nenhuma escola, pois, face à diferença técnica das três atingidas em relação às demais, uma destas cairia fatalmente para a divisão secundária. As três escolas, Portela, Runião da Ilha e Grande Rio nem serão mesmo julgadas ao desfilarem. Elas irão para a Avenida Sapucaí da forma que puderem, mas não receberão pontos dos jurados, farão apenas um desfile quase simbólico.

Também foi decidido que a Portela, que ia desfilar na noite de segunda-feira, passará para a noite de domingo, em troca com a Mocidade Independente, que ia desfilar domingo e passou para segunda. É para evitar que todas as escolas atingidas pelo desastre desfilem na mesma noite, já que União da Ilha e Grande Rio também desfilam segunda.

Apesar da imensa rivalidade entre as escolas de samba do Rio, que chega a ultrapassar a do futebol, directores e simpatizantes de outras escolas já ofereceram apoio a Portela, União da Ilha e Grande Rio.

O impacto emocional da tragédia foi tão grande no mundo do samba, que outras escolas resolveram doar parte dos seus materiais e voluntários já ofereceram o seu trabalho, para tentar que as três escolas atingidas pelo sinistro possam colocar na rua o seu Carnaval. Evidentemente não o programado e que já estava pronto e começou a ser produzido há quase um ano, mas o que for possível.

No total, só em fantasias, alegorias e material guardado nos barracões, as três escolas de samba tiveram um prejuízo superior a 10 milhões de euros. Isso até seria recuperado em parte com doações e parcerias com entidades públicas e privadas, mas é humanamente impossível refazer tudo nos menos de 30 dias que faltam para o Carnaval. Há fantasias e carros alegóricos que demoram muitos meses para serem confeccionados e boa parte do material que utilizam é importado.

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