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Correio da Manhã

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Brown vai mudar-se para casa de Blair

O provável sucessor de Tony Blair na chefia do governo britânico vai mudar-se desde já para o n.º 10 de Downing Street, residência oficial do primeiro-ministro. Não se pense, no entanto, que Gordon Brown, actual ministro das Finanças, vai partilhar a casa com Blair, com quem mantém uma relação bem menos que amigável.
14 de Setembro de 2006 às 00:00
É de conhecimento público que Brown está ansioso por ocupar a cadeira do poder e que não perdoa a Blair o facto de ainda não ter fixado uma data para a sua saída (na sua última declaração afirmou que sairá no prazo máximo de um ano). Mas não é a pressa de ser líder de governo o motivo da mudança de casa. Esta, diz-se, terá lugar por razões de segurança. Actualmente o ministro vive com a mulher, Sarah, e os dois filhos num pequeno apartamento no bairro londrino de Westminster. Alegadamente foi a Scotland Yard que aconselhou a mudança para o n.º 10.
Apesar de parecer estranha, a passagem do ministro para a moradia do líder de governo está prevista na lei, como explica o jornal ‘The Times’, que avançou a notícia. Bom, a verdade é que a casa reservada aos titulares da pasta das Finanças é n.º 11. Mas este foi ocupado por Blair em 1997, após as eleições, por ser um apartamento maior do que a residência reservada ao primeiro-ministro e por Brown, na altura solteiro, não estar interessado em utilizá-lo.
Segundo o ‘Times’, Brown há já bastante tempo que desejava efectivar a mudança, mas receava que isso fosse interpretado como um sinal para Blair e para os britânicos, significando que era altura de ir embora.
Esse receio poderia também estar relacionado com o facto de Brown, segundo se afirma, estar desde há muito ligado aos esforços dos críticos internos do Partido Trabalhista para forçar a saída de Blair. Os críticos consideram o primeiro-ministro um entrave ao crescimento do partido, sobretudo desde a participação britânica na guerra do Iraque e dos escândalos com ela relacionados – como o do relatório manipulado para justificar a invasão, no qual se afirmava que Saddam Hussein podia lançar um ataque com armas de destruição massiva em apenas 45 minutos.
Esse relatório, e as suspeitas de homicídio do cientista David Kelly, que denunciou as manipulações, fizeram a popularidade de Blair bater no fundo.
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