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Correio da Manhã

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Bush e Blair admitem viragem estratégica

O presidente norte-americano, George W. Bush, e o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, saudaram ontem as conclusões do Grupo de Estudo sobre o Iraque como uma “contribuição importante” para a discussão de “novas formas de avançar” na resolução do conflito e concordaram que é necessária uma “viragem estratégica”. Mas frisaram que ainda é cedo para decidir qual a melhor opção.
8 de Dezembro de 2006 às 00:00
Bush recebeu  Blair na Casa Branca
Bush recebeu Blair na Casa Branca FOTO: Jjim Young/Reuters
Reunidos em Washington para debater as conclusões da chamada Comissão Baker – que recomendou uma retirada das tropas de combate até ao início de 2008 e uma aposta na formação das tropas iraquianas e no diálogo com a Síria e o Irão – Bush e Blair optaram por não tirar conclusões precipitadas, limitando-se a aceitar que é necessária uma mudança estratégica. Nesse sentido, frisou Bush, o relatório do Grupo de Contacto é um “instrumento importante”, mas apenas parte de uma série de opiniões que a Casa Branca pretende recolher até ao final do ano antes de tomar uma decisão e nas quais se incluem relatórios similares do Departamento de Estado e da Secretaria da Defesa.
Admitindo que “as coisas estão más no Iraque”, Bush rejeitou, porém, a recomendação da Comissão Baker para dialogar com a Síria e o Irão, pelo menos enquanto aqueles países não fizeram “aquilo que a comunidade internacional espera delas”, ou seja, que Damasco deixe de desestabilizar o Líbano e que Teerão abandone o seu programa nuclear. “Ambos os países têm de tomar decisões que conduzam à paz, não ao conflito”, afirmou Bush.
Já Blair afirmou que a grande questão é saber “como encontrar o caminho certo” no Iraque. “É preciso que todos assumam as suas responsabilidades, incluindo o governo iraquiano”, afirmou o primeiro-ministro britânico, assegurando que os EUA e o Reino Unido continuam a apoiar o primeiro-ministro Nuri al-Maliki nas difíceis decisões que terá de tomar.
BLAIR ENVIADO AO MÉDIO ORIENTE
George W. Bush anunciou ontem que o seu aliado Tony Blair deverá deslocar-se em breve ao Médio Oriente para tentar relançar o processo de paz israelo-palestiniano, dando seguimento a uma das recomendações da Comissão Baker, que ligou o conflito no Iraque à incontornável questão israelo-árabe e exortou a Casa Branca a um maior empenhamento na procura da paz.
Quem não concorda com esta visão é o primeiro-ministro israelita, Ehud Olmert, que ontem afirmou que a resolução do conflito no Iraque não está de modo algum ligada ao problema israelo-palestiniano.
“O Médio Oriente tem muitos problemas que não têm nada a ver connosco”, afirmou Olmert, que rejeitou também a possibilidade de diálogo entre Israel e a Síria, igualmente sugerida pelo Grupo de Estudo para o Iraque.
PROJECTOS ALTERNATIVOS
GEORGE W. BUSH
- Mlitares dos EUA devem ficar no Iraque até “terminar a missão” e enquanto o governo iraquiano desejar a sua presença.
- Opõe-se a conversações directas com o Irão e a Síria.
- Quer acelerar a transferência de poderes para as autoridades iraquianas através da imposição de metas a cumprir por Bagdad.
- Defende as injecções de capital para apoiar o governo iraquiano e pretende uma maior participação dos países vizinhos.
DONALD RUMSFELD
- Propunha reduzir de 55 para cinco as bases dos EUA no Iraque até Julho de 2007. Queria retirar tropas das áreas mais difíceis e dar mais responsabilidades aos iraquianos.
- Aumentar de maneira significativa o número de instrutores militares
- Deixar de recompensar as atitudes negativas e concentrar o dinheiro na regiões “que funcionam”.
- Estacionar tropas dos EUA nas fronteiras com Irão e Síria para travar infiltração de terroristas.
COMISSÃO BAKER
- Recomenda a retirada de todas as unidades de combate até ao primeiro trimestre de 2008. Apenas ficariam as tropas encarregues do treino das forças iraquianas.
- Sugere ameaçar Bagdad com suspensão da ajuda económica e militar se não alcançar objectivos.
- Propõe aumentar o esforço de reconstrução.
- Recomenda iniciar conversações directas com a Síria e o Irão e pede maior envolvimento dos EUA na resolução do conflito israelo-palestiniano.
NÚMEROS DA GUERRA
Entre 19 de Março de 2003 e 30 de Novembro de 2006:
- Militares e polícias mortos
Norte-americanos 2899
Soldados de outros países 121
Britânicos 126
Soldados e polícias iraquianos 5805
- Civis e jornalistas
Iraquianos 50 mil a 600 mil
Jornalistas 77
Britânicos 448
Estrangeiros sequestrados 294
- Custos monetários da guerra: 218 600 milhões de euros
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