O Presidente George Bush disse ontem de manhã em Washington que manterá nos próximos quatro anos a “agenda clara” de que falou na campanha, nomeadamente a reforma de taxas e impostos e da segurança social e a guerra ao terrorismo. Sobre a Europa, Bush não disse uma palavra – a reeleição com três milhões e meio de votos a mais do que Kerry dá-lhe tempo para falar dos seus aliados naturais.
“Eu vejo estas eleições assim: ganhei um capital e agora vou gastá-lo”, disse Bush na primeira conferência de Imprensa após a reeleição, que teve lugar na Casa Branca, depois de uma reunião que teve com todo o governo. A especulação sobre o elenco da nova administração – “um grande desporto de Washington”, como lhe chamou Bush, sempre muito bem disposto – já começou e o secretário de Estado Powell, e os da segurança, Tom Ridge, e da Justiça, John Ashcroft, são apontados como estando de saída do gabinete. Bush disse a propósito: “Ainda não pensei nisso. Vou agora para Camp David com Laura e vou começar a pensar nisso agora. É inevitável que haja mudanças, porque todas essas pessoas que vocês procuram para ter notícias todos os dias estão sujeitos a uma grande pressão, mas ainda não foram tomadas quaisquer decisões”.
Donald Rumsfeld, o secretário da Defesa também pode sair e admite-se que Condoleeza Rice possa substitui-lo, tornando-se a primeira mulher – e negra – a encabeçar o Pentágono. Paul Wolfowitz, ‘arquitecto’ da guerra no Iraque, poderia ficar com o lugar de Rice como conselheiro da Segurança Nacional.
Dan Bartlett e Ken Mehlman, que tiveram um enorme papel na campanha, nomeadamente nas relações com a Comunicação Social, e Karl Rove, o grande estratega vêem também o seu poder reforçado. O “New York Times” chamou-lhes a “máfia do Texas” e o seu poder em Washington e no partido republicano é enorme na captação de fundos, na escolha de candidatos, na influência que têm sobre a linha política. Uma frase interessante de Bush foi a de que queria “disciplina nos gastos”, o que é interessante já que Bush é criticado por nunca ter recusado nenhuma lei que obrigasse a mais gastos. E ao dizer que tem um capital para gastar, isso é visto como uma forma de dizer que tendo maioria no Congresso, entende que deve forçá-la – com os democratas no número necessário e há muitos que concordam com os pontos de vista de Bush – para fazer passar as suas leis sobre novos cortes de taxas e impostos que tanto dividiram o país nos últimos meses. Com o seu poder reforçado, Bush vai impor mais a sua agenda, embora não possa ser insensível às divisões que se sentem no país e no mundo sobre a sua política. Ontem, reafirmou que não consegue pensar “que não é importante levar a democracia a muitas partes do mundo”.
MAIORIA DOS AMERICANOS ESTÃO OPTIMISTAS
A maioria dos norte-americanos acredita que o presidente George W. Bush vai unir o país e não dividi-lo. É o que se conclui de um inquérito de opinião feito conjuntamente por CNN/USA Today/Gallup.
Numa sondagem feita na noite de quarta-feira, 57% dos 621 americanos inquiridos afirmaram que Bush vai unir a nação, enquanto 39% mostraram-se convictos de que ele será factor de divisão.
Por outro lado, um terço dos inquiridos mostraram-se optimistas em relação ao segundo mandato de Bush e 23% revelaram-se mesmo entusiásticos. Outros 24% afirmaram sentir-se receosos e 18% confessaram estar pessimistas.
MULHER DE EDWARDS TEM CANCRO NO PEITO
No dia em que o seu marido e o chefe John Kerry concederam a derrota, Elizabeth Edwards soube que tinha um cancro no peito. O cancro invasivo é considerado a forma mais comum da doença. O diagnóstico de Elizabeth, 55 anos, três filhos, foi feito ontem num hospital de Boston – onde o casal tinha passado a noite eleitoral – e depois de, durante a campanha, ter notado algumas alterações na sua saúde.
Elementos da campanha de Kerry/Edwards disseram que Elizabeth estava confiante e com o moral elevado. Recorde-se que o casal sofreu a perda de um filho de 16 anos em 1991, num desastre de automóvel e que só depois disso Edwards se dedicou à política.
‘XERIFE’ LÉSBICA
O condado de Dallas (Texas, um dos territórios mais conservadores do país, elegeu como xerife (chefe da Polícia) a democrata Lupe Valdez, de origem mexicana e assumidamente lésbica.
Com 45 anos, Lupe obteve 51 por cento dos votos, derrotando surpreendentemente o seu rival republicano Danny Chandler.
‘PORTUGUESES’
Todos os legisladores de ascendência portuguesa na Assembleia Legislativa de Massachussetts foram reeleitos nestas eleições americanas. O senador Marc Pacheco, democrata de Taunton, foi reeleito para mais um mandato, tal como os deputados António Cabral, de Nova Bradford, Robert Correia, de Fall River, e Michael Rodrigues, de Wesport, todos democratas.
PAZ COM CANADÁ
O presidente George W. Bush reconciliou-se com o Canadá, que não o apoiou na guerra contra o Iraque. O presidente americano aceitou visitar aquele país neste segundo mandato. Recorde-se que uma visita de Bush ao Canadá foi cancelada devido à questão do Iraque.
CUBA CRITICA
A televisão oficial cubana afirmou que George W. Bush foi reeleito “graças ao medo que o seu governo semeou entre os norte-americanos”. Randy Alonso, que deu voz a esta crítica, afirmou que para Cuba era indiferente o resultado das eleições já que os dois candidatos partilham o mesmo objectivo: destruir a revolução cubana.
PREVISÕES ERRADAS
As previsões foram as grandes derrotadas destas eleições, já que muitas delas deram a vitória a John Kerry nas sondagens à boca das urnas. Até o prestigiado Joh Zogby, que fez as previsões para a Reuters, errou ao prever que os estados de Ohio e Florida seriam ganhos por Kerry.
LUSO-DESCENDENTES NO CONGRESSO
Entre os 435 elementos da Câmara dos Representantes – que com o Senado forma o Congresso dos Estados Unidos – há quatro de clara ascendência portuguesa, todos da Califórnia e todos foram reeleitos. Dois são democratas (Devin Nunes e Jim Costa), enquanto os outros são republicanos (Richard Pombo e Dennis Cardoza). Dos quatro, Jim Costa é o único novo na Câmara de Representantes – os outros foram reeleitos, aliás com grandes votações.
Costa ganhou por cerca de seis mil votos de diferença e, depois de ter sido eleito para lugares no Congresso Estadual, conseguiu a eleição para um lugar federal ao concorrer pela primeira vez. Na maioria dos casos vêm das zonas rurais da Califórnia e tinham o apoio das associações locais ligadas a essas áreas. A família de Devin Nunes veio dos Açores no início dos anos 90 e na sua página na internet recorda-se isso mesmo. Richard Pombo é um grande rancheiro e ganhou com 139 mil votos contra 88 mil do seu adversário republicano. Devin Nunes atingiu os 70 por cento e Cardoza 60 por centos nos respectivos distritos. Apesar de não terem agora ligações directas a Portugal, fazem parte de uma associação de eleitos portugueses (de que também é membro John Kerry, o candidato derrotado à presidência, ao que não será estranho o facto de o Massachusetts ter uma grande comunidade de portugueses). Há algumas semanas houve uma resolução na Câmara a agradecer a Portugal a sua ajuda no Iraque, o que partiu da iniciativa destes representantes.
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