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Correio da Manhã

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BUSH REJEITA CEDÊNCIA

Perante a pressão dos países árabes, o Iraque acabou por aceitar, sem condições, o regresso dos inspectores da ONU, justificando que assim deixam os Estados Unidos e o Reino Unido sem pretextos para atacar. Puro engano.
17 de Setembro de 2002 às 21:12
O presidente norte-americano, George W. Bush, está determinado em avançar contra Bagdad e rejeitou ontem a concessão iraquiana, afirmando que a ONU tem de actuar para conter o líder iraquiano, Saddam Hussein.

Foi na noite de segunda-feira que o chefe da diplomacia iraquiana, Naji Sabri, entregou uma carta ao secretário-geral da ONU, Kofi Annan. “É um prazer informá-lo que o governo da República do Iraque permitirá o regresso dos inspectores de armas da ONU sem condições” - lia-se na missiva, que fez Annan respirar de alívio. Ciente do importante papel desempenhado pela Liga Árabe, o secretário-geral da ONU não se esqueceu de agradecer os esforços árabes.

Rejeição dos EUA

De Washington surgiu inicialmente o cepticismo esperado e a classificação de “estratégia cínica” para a oferta iraquiana. “Não avaliamos Saddam Hussein pelo seu valor facial” - fez saber a Casa Branca. Horas depois, porém, chegava a rejeição inequívoca do presidente norte-americano.

”É tempo de actuar contra Saddam Hussein para garantir a paz. Continuamos firmes na nossa convicção de que não podemos permitir que os piores líderes do mundo mantenham os EUA e os seus aliados sujeitos à chantagem ou que nos ameacem com as piores armas do mundo” - afirmou Bush, mantendo pressão sobre a ONU para que seja elaborada uma nova resolução que aprove o uso da força se Bagdad não cumprir o prometido num prazo curto.

Como se esperava também Londres fez eco da reacção norte-americana com o porta-voz do primeiro-ministro Tony Blair a avisar que o governo iraquiano tem uma longa história de envolvimento em jogos políticos.

Divergências

Mas esta posição não é partilhada pelos restantes membros permanentes do Conselho de Segurança.

A França considerou que não há tempo a perder e defendeu o envio imediato os inspectores. Mesmo ponto de vista manifestaram a China e a Rússia, com Moscovo a rejeitar uma nova resolução.

A crise está, pois, longe do fim. A expectativa cresce, tanto mais que Sabri vai amanhã discursar perante a Assembleia-Geral da ONU.

Os inspectores, esses, esperam pela “luz verde”. ‘Podíamos começar a trabalhar já amanhã se tivessemos o aval da ONU’ - informou Melissa Fleming, porta-voz da Agência Internacional de Energia Atómica.

Bases estratégicas

Turquia

Bases aéreas de Incirlik e Malatya. Os EUA já as usam há muitos anos, mas Ancara poderá agora exigir contrapartidas financeiras.

Qatar

Base de Al-Udeid. É uma das principais na região, tendo os EUA transferido o Quartel-General Aliado para este país.

Arábia Saudita

Base Príncipe Sultan. Já conta com homens e equipamento militar norte-americano.

Koweit

Base Ali Salem e Camp Dawhah. Mais de 4000 tropas americanas estão instaladas neste país.

Bhrein

A Quinta Esquadra está neste país, importante no caso de um ataque ao Iraque.

Omã

É um dos países com que contam os EUA.
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