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Cabo Verde apreende apenas uma parte do tráfico de droga

Procurador-Geral da República explicou que a extensão da zona económica exclusiva dificulta a vigilância das águas nacionais.

20 de julho de 2026 às 15:09

O Procurador-Geral da República cabo-verdiana afirmou esta segunda-feira que a quantidade de droga apreendida pelo país é "incomensuravelmente inferior" ao que circula pelas redes de tráfico, destacando a necessidade de reforçar a cooperação internacional para vigilância das águas nacionais.

"A localização geoestratégica faz com que as pessoas aproveitem para fazer esse tráfico e nós temos essa informação: há muito tráfico. Geralmente, o que se consegue apreender é incomensuravelmente inferior ao que transita", afirmou Luís Landim.

O procurador-geral falava à margem do Fórum Regional de Investigação sobre Tráfico Ilícito de Drogas e Infrações Conexas, que decorre na Praia.

Luís Landim explicou que a extensão da zona económica exclusiva dificulta a vigilância das águas nacionais, tornando necessária a cooperação com outros países.

"Há dados que dizem que só se consegue apreender, por ano, a nível global, 10% daquilo que se consegue traficar", afirmou, acrescentando que Cabo Verde já registou apreensões de "10 e cinco toneladas", valores que "representam apenas uma parte" da circulação ilícita.

Acrescentou que o país mantém acordos de monitorização das suas águas com os Estados Unidos, Brasil, Espanha, Portugal, França e Holanda, sublinhando que as grandes apreensões realizadas no arquipélago resultaram da cooperação com esses parceiros.

O PGR alertou para "tendências preocupantes" do tráfico de droga na África Ocidental, incluindo a deslocação da produção de drogas sintéticas para África, visando aproximar a produção dos principais mercados consumidores, sobretudo o europeu.

Segundo Luís Landim, a globalização tem permitido que as organizações criminosas aproveitem as facilidades de transporte, falhas de vigilância e infiltração nas redes do Estado para expandirem a sua atividade.

O fórum, que decorre de esta segunda a quarta-feira, reúne coordenadores da rede de procuradores e autoridades centrais da África Ocidental, bem como representantes da Associação dos Procuradores da África, com o objetivo de promover a troca de experiências e encontrar respostas conjuntas contra o tráfico ilícito de drogas.

Segundo o PGR, Cabo Verde foi escolhido para acolher o encontro por ser visto pela comunidade internacional como um país "determinado, firme e focado" no combate ao tráfico de droga.

A iniciativa é organizada pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), com apoio dos Estados Unidos da América, no âmbito do combate ao crime organizado e ao tráfico de droga.

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