Só na Praia funcionam 272 mesas de voto, para 88.357 eleitores inscritos.
De máscara a cobrir a cara, Adérito e Alberto juntaram-se à porta da Escola Abela Djassi, 20 minutos antes da hora, para serem os primeiros a votar nas legislativas cabo-verdianas, sem receios, mas com "respeito" pela covid-19.
Passou praticamente uma hora até que as três mesas de voto instaladas naquela escola do bairro de Terra Branca, na cidade da Praia, abrissem à votação e Adérito Ramos apressou-se a cumprir o dever, como em todas as eleições anteriores no arquipélago.
"Nunca faltei, sempre votei. Em tudo. É um dever cívico", garantiu, à conversa com a Lusa, este motorista de 52 anos, enquanto os elementos da mesa de voto ultimavam os pormenores para o arranque da votação, como afixação dos editais e abertura públicas das urnas.
À entrada da escola dois elementos da assembleia de voto garantiam a higienização das mãos de todos os eleitores, medindo ainda a temperatura, mas o atraso na abertura das mesas deixou cair por terra o objetivo de Adérito, de evitar filas.
"Há pandemia no país, por isso vim cedo para evitar as aglomerações. Tenho respeito para não apanhar a pandemia, é preciso protegermo-nos", explicou, enquanto via a fila para votar crescer, aguardando pela abertura das mesas, o que só aconteceu pelas 07:40 (mais duas horas em Lisboa).
As mesas de voto para as sétimas eleições legislativas em Cabo Verde começaram a abrir hoje depois das 07:00 locais (09:00 em Lisboa), embora a maioria com atraso devido a questões logísticas, constatou a Lusa em vários pontos da cidade da Praia.
A abertura oficial das assembleias de voto instaladas no arquipélago aconteceu uma hora antes do horário habitual das eleições legislativas anteriores, uma das medidas de prevenção definidas pela Comissão Nacional de Eleições (CNE) de Cabo Verde devido à pandemia de covid-19, e a admissão de eleitores poderá ser feita até às 18:00 (20:00 em Lisboa), para "garantir o cumprimento das normas sanitárias vigentes no país" e "evitar a aglomeração de pessoas".
Adérito confessou que saiu de casa bem cedo para votar, apesar de admitir que "as pessoas já não acreditam nos políticos" e que é "preciso mudar" a política em Cabo Verde.
"Não estou satisfeito", atirou, numa observação corroborada por Alberto Tavares, 69 anos, outro dos dois primeiros a apresentarem-se na Escola Abela Djassi para votar.
Reformado, vive com uma pensão mensal de 5.800 escudos (53 euros), que diz que "não chega para viver". Ainda assim, descontente, chegou cedo e esperou mais de uma hora até poder votar: "Venho fazer a minha parte, votar, para ver se a coisa vai melhorar".
E nem os receios da pandemia, que em Cabo Verde, e sobretudo na Praia, atinge recordes diários de novos casos de covid-19 nos últimos dias, o fizeram ficar em casa.
"Todos nós temos esse medo, mas estamos a prevenir", conta, mas garantindo ter "respeito".
"Porque a pandemia mata, não tem rosto e ficamos com medo".
Cabo Verde regista 20.254 casos acumulados de covid-19 desde 19 de março de 2020 em todas as ilhas do arquipélago, que provocaram 190 mortos por complicações associadas à doença, e 17.964 já foram considerados recuperados, contando atualmente com 2.086 casos ativos, dos quais 1.041 na cidade da Praia.
Numa ronda feita pela Lusa por várias assembleias de voto foi possível verificar atrasos generalizados, sobretudo por questões logísticas, como limpeza e higienização dos locais de votação e a preparação dos elementos das mesas de voto, obrigados a usar equipamentos de proteção individual, nomeadamente máscaras e viseiras, devido à pandemia de covid-19.
Noutro ponto da capital, as três mesas de voto da Escola Nova Assembleia, na Achada de Santo António, estavam desertas ao fim de quase uma hora de votação, o que fez com que a estreia de Paulo Gomes, 20 anos, fosse feita em menos de cinco minutos.
"Foi a primeira vez, muita responsabilidade porque estou a escolher um partido para governar o nosso país", contou, assumindo não ter receios devido à pandemia: "Nenhum problema, sem medo".
Quase 393 mil eleitores cabo-verdianos são chamados hoje às urnas para as sétimas eleições legislativas de Cabo Verde, escolhendo entre 597 candidatos de seis partidos os 72 deputados ao parlamento na próxima legislatura.
A votação vai ainda definir o Governo para os próximos cinco anos e acontece num momento de recordes diários de novos infetados por covid-19 no arquipélago.
Ainda antes das 09:00, Solange Cesarovna Rodrigues é recebida à porta da Escola Nova Assembleia para a higienização obrigatória das mãos e medição da temperatura, e vota de seguida. No final, ela que é também presidente da Sociedade Cabo-verdiana de Música, elogia o processo, explicando que chegou cedo precisamente para escapar às filas.
"Encontrei tudo muito funcional, muito rápido, prático, também a nível das condições sanitárias elas estão garantidas", reconheceu, depois de tratar da votação em menos de cinco minutos.
"O direito e obrigação cívica é participarmos nas escolhas eleitorais. A melhor opção é todos virmos dar a nossa contribuição enquanto cidadãos comprometidos com o nosso país e o nosso futuro", rematou.
Para estas eleições estão previstas 1.245 mesas de voto no arquipélago e 236 na diáspora, em 21 países, para um total de 392.993 eleitores recenseados, segundo a CNE.
Só na Praia funcionam hoje 272 mesas de voto, para 88.357 eleitores inscritos.
O número máximo de eleitores por cada mesa está fixado em 350, para o território nacional, "tendo em vista minimizar os constrangimentos logísticos, nomeadamente a falta de edifícios públicos e de cidadãos para desempenharem as funções de membros de mesa de voto", de acordo com a CNE.
Nas eleições legislativas cabo-verdianas são eleitos para um mandato de cinco anos 72 deputados, dois dos quais pelo círculo de África, dois pelo círculo da América e dois pelo círculo da Europa e resto do mundo.
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