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Correio da Manhã

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CALOR EM PARIS MATA CEM EM OITO DIAS

Pelo menos cem pessoas morreram nos últimos oito dias na região de Paris por causas relacionadas com a onda de calor que se abateu sobre grande parte da Europa. A denúncia é feita por uma associação de médicos e por agentes funerários, contra a apreciação da ministra francesa da Saúde, Stephane Grossier, para quem “as coisas não são tão simples como parecem”.
12 de Agosto de 2003 às 18:28
Patrick Pelloux, da associação francesa de médicos de urgência, afirmou que cerca de 50 óbitos verificados nos últimos quatro dias elevam para mais de 100 o número de pessoas que morreram na região de Paris por causas relacionadas com o excesso de calor desde o passado dia 4. “Não estamos minimamente preparados para esta catástrofe”, declarou Pelloux, acusando as autoridades governamentais por não considerarem que o aumento de óbitos na região da capital francesa está relacionado com o calor. Esta crítica implica a sugestão de que não admitir o problema é nada fazer para o resolver.
As agências funerárias da região de Paris corroboram a denúncia feita por esta associação de médicos. Os pedidos de serviços funerários aumentaram em cerca de 50% desde o início da onda de calor, pelo que os agentes funerários não têm qualquer dúvida em relacionar a causa.
Facto é que os hospitais da região parisiense sentem dificuldades em dar resposta aos cerca de 500 pedidos de auxílio recebidos nos últimos três dias por causa do calor. Os médicos tentam libertar camas dos hospitais, alguns cancelaram ou anteciparam o fim das suas férias e todas as intervenções cirúrgicas não urgentes foram canceladas.
Apesar dos números, o Ministério francês da Saúde insiste em como a onda de calor não provocou um aumento significativo de casos clínicos. A ministra da Saúde Stephane Grossier foi mesmo citada pela agência Associated Press como tendo dito que as pessoas não entram nos hospitais com ‘a morrer de calor’ escrito num letreiro colado na testa. “As coisas não são tão simples como parecem”, terá dito a ministra.
Pelloux insiste em como Paris não está preparada para uma onda de calor tão intensa, considerando a actual pior que a de Chicago em 1995, que terá provocado (de forma indirecta) a morte a 700 pessoas. E Pelloux lembra que essa onda de calor em Chicago durou três dias com temperaturas de 37 graus centígrados, enquanto que Paris já vai no 10º dia com temperaturas de 40 graus.
VÍTIMAS TAMBÉM EM ESPANHA
Também em Espanha a canícula parece não dar tréguas e anteontem as autoridades oficiais divulgaram mais quatro mortes, pelo que a lista cresceu para 25. As temperaturas a cima dos 40º no Norte de Itália provocaram a morte de oito pessoas em Milão e sete em Turim.
Está previsto que esta onda de calor na Europa abrande no final da semana, mas os seus efeitos irão perdurar, sobretudo por causa dos muitos fogos florestais, nomeadamente em Portugal, onde a área ardida ultrapassa já os 200 mil hectares, sendo já considerados os piores incêndios em duas décadas.
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