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Correio da Manhã

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Cameron promete governo estável

O líder do Partido Conservador, David Cameron, é o novo primeiro-ministro do Reino Unido. A incerteza política em que mergulhara o país após as eleições, com os liberais-democratas a tentarem um acordo com os dois principais protagonistas, terminou ontem com a decisão do primeiro-ministro trabalhista, Gordon Brown, de apresentar demissão à rainha Isabel II, pondo fim a 13 anos de poder trabalhista no país.
12 de Maio de 2010 às 00:30
Cameron, acompanhado pela mulher, Samantha, à porta do número 10 de Downing Street
Cameron, acompanhado pela mulher, Samantha, à porta do número 10 de Downing Street FOTO: Toby Melville/Reuters

Após terem fracassado as negociações entre o seu partido e os liberais, Brown decidiu não prolongar a agonia do seu mandato, muito fragilizado pela derrota nas eleições e também pelas divisões no seu próprio partido.

A resignação de Brown deixou o caminho livre para Cameron, que foi ontem convidado pela rainha Isabel II para formar governo. Com 43 anos, será o mais novo primeiro-ministro do Reino Unido dos últimos dois séculos e prometeu uma "coligação forte e estável".

Recorde-se que os tories, sem maioria absoluta no Parlamento, tiveram de negociar um acordo com os liberais de Nick Clegg (terceira força política). As conversações entre conservadores e liberais, iniciadas no sábado, sofreram vários abalos. Na segunda-feira chegou a ser anunciado que o acordo estava iminente, mas Brown, numa tentativa de evitar a queda, entrou em cena. Reuniu-se com Clegg e ofereceu--lhe aquilo que o seu partido mais deseja: a reforma do sistema eleitoral. Cameron contra-atacou e propôs aos liberais um referendo sobre o sistema de voto alternativo. Pressionado pelos seus correligionários, Brown, que não era visto com bons olhos pelos liberais na chefia do governo, anunciou a demissão da liderança trabalhista na esperança de um acordo. Não foi suficiente, o diálogo gorou-se e Brown saiu. As divisões no Labour contribuíram para o fracasso.

Os tories ultimaram o acordo com os liberais-democratas, a quem terão oferecido quatro cargos no governo. Especulava-se ontem que Clegg ficaria como presidente da Câmara dos Comuns.

DOIS IRMÃOS NA CORRIDA À LIDERANÇA LABOUR

A corrida à liderança Labour já começou, com vários pesos-pesados do partido a não descartarem a hipótese de se candidatarem. Entre eles estão dois irmãos: o chefe da diplomacia, David Miliband, e o ministro para a Energia, Edward Miliband, seu irmão mais novo.

Edward Miliband, de 40 anos, vai sondar o partido já na reunião que no sábado vai juntar várias figuras trabalhistas e elementos das bases. Entre os potenciais candidatos contam-se Alan Johnson, titular da pasta do Interior, Andy Burnham, ministro da Saúde, e Jon Cruddas.

APONTAMENTOS

DEMISSÃO

O ‘Evening Standard’ noticiou a demissão de Gordon Brown, mas este desmentiu. Horas depois, resignava.

COLIGAÇÃO

O governo liderado por Cameron será o primeiro executivo de coligação em tempo de paz.

SISTEMA ELEITORAL

Os conservadores ofereceram aos liberais referendo ao sistema eleitoral. Os trabalhistas ofereciam a reforma eleitoral.

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