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Correio da Manhã

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Cameron nega ter dinheiro em offshores

Primeiro-ministro não responde sobre fundo do pai nas Bahamas.
J.C.M. 5 de Abril de 2016 às 16:11
Cameron foi a Birmingham falar da UE mas as perguntas foram sobre os 'Papéis do Panamá'
Cameron foi a Birmingham falar da UE mas as perguntas foram sobre os 'Papéis do Panamá' FOTO: Christopher Furlong / Reuters

O primeiro-ministro britânico David Cameron negou hoje qualquer envolvimento seu em companhias offshore. "Em termos das minhas finanças pessoais, não tenho ações. Tenho um salário como primeiro-ministro, tenho algumas poupanças, das quais recebo juros e tenho uma casa, onde costumávamos viver e deixámos enquanto estamos em Downing Street [morada oficial do PM]. E é tudo o que tenho", disse o político esta terça-feira em Birmingham.

No entanto, quando confrontado sobre se tinha recebido algum dinheiro dos fundos de investimento do pai ou se algum outro membro da família tem neste momemento investimentos em offshores, Cameron não respondeu. O seu porta-voz disse que essas questões são "assunto privados". Cameron é o segundo de quatro irmãos, tem um irmão mais velho e duas irmãs mais novas.

Lembre-se que os ‘Papéis do Panamá’ revelaram que o pai de David -  Ian Cameron, falecido em 2010, escassos meses depois de David ser nomeado primeiro-ministro -  foi um dos fundadores da Blairmore Holdings Inc, um fundo de investimentos sedeado no paraíso fiscal das Bahamas mas com ligações à Mossack Fonseca, no Panamá. O jornal Guardian revela que o pai de Cameron nunca pagou impostos em Inglaterra, tendo recorrido a um grupo alargado de residentes nas Bahamas para assinar papeis e tratar da burocracia da empresa - incluindo um bispo em part-time da Igreja protestante Deus da Profecia.

David Cameron não respondeu às perguntas sobre as atividades financeiras do pai, um homem de negócios que deixou uma fortuna 2,74 milhões de libras (3,42 milhões de euros) quando morreu. Cameron terá herdado cerca de 370 mil euros, mas Ian deixou também propriedades e casas de grande valor.

Jeremy Corbyn, líder do Partido Trabalhista, principal partido da oposição reclama uma "investigação profunda" a todos os cidadãos e instituições britânicas envolvidas nos ‘Papéis do Panamá’. 

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