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Correio da Manhã

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Caminho aberto para o resgate

A perfuradora T-130 chegou ontem ao fundo da mina de San José, no Chile, como um verdadeiro raio de luz para os 33 mineiros que aí estão sepultados há mais de dois meses. Para evitar euforias antecipadas, o governo chileno apelou à calma, e lembrou que o túnel não está concluído, pois poderá ter de ser revestido de aço para permitir o funcionamento da cápsula de resgate.
10 de Outubro de 2010 às 00:30
Mulher de um dos mineiros abraça um dos responsáveis pela operação da perfuradora
Mulher de um dos mineiros abraça um dos responsáveis pela operação da perfuradora FOTO: Ian Salas/EPA

Mas as palavras sensatas chegaram tarde para evitar a alegria incontida dos homens soterrados e das suas famílias. Estas, ao saberem da chegada da broca junto dos mineiros, precipitaram--se, em corrida, desde o acampamento ‘Esperança’ até ao local onde as equipas de resgate do chamado Plano B finalizavam uma noite ininterrupta de perfuração.

Gritaram vivas, trocaram abraços e agradeceram, com lágrimas nos olhos, aos trabalhadores que dia e noite, durante semanas, levaram a esperança ao fundo da mina. "O inferno em que temos vivido está perto do fim", afirmou Cristina Nuñez, cantando e agitando uma bandeira em honra do marido, Claudio Yáñez. Com lágrimas nos olhos, concluiu: "Dou graças a Deus e aos trabalhadores que estiveram dia e noite ao nosso lado."

O ministro das Minas, Laurence Golborne, explicou que os peritos vão agora decidir se o túnel de resgate será total ou parcialmente revestido de aço. Pedro Buttazzoni, responsável da empresa Geotec, que realizou os trabalhos, considerou que talvez baste revestir cerca de 70 metros, o que poderá significar que até sair o primeiro mineiro faltam pelo menos mais dois dias de trabalho.

SOCORRISTAS DESCEM PRIMEIRO AO FUNDO DA MINA

Antes de chegar à superfície o primeiro mineiro, dois elementos das equipas de resgate, que treinam há várias semanas, vão ter de descer até ao fundo da mina. O cabo Patricio Muñoz será um dos primeiros a usar a estreita cápsula de resgate e contou como decorrerão as operações. "Terei de avaliar como estão fisicamente, para informar o médico na superfície", afirmou, explicando que será este a decidir quem sai primeiro: "Os primeiros serão os que estiverem melhor, pois pode haver alguns necessitados de tranquilizantes devido à ansiedade".

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