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Correio da Manhã

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Camorra factura 18 milhões por ano

O governo do primeiro-ministro italiano, Romano Prodi, declarou esta semana ‘guerra’ à Camorra (a máfia de Nápoles), depois de a mais recente vaga de violência ter causado a morte a pelo menos 12 pessoas. Mas o executivo de Roma, que enviou para a cidade um contingente reforçado de agentes policiais, quer sobretudo derrotar o poder económico de uma organização centenária traduzido por números impressionantes: anualmente a Camorra factura cerca de 18 milhões de euros.
5 de Novembro de 2006 às 00:00
Dispondo de um autêntico ‘Exército’ composto por 6500 ‘soldados’ e ainda de 50 mil ‘simpatizantes’, o poder da Camorra assenta, sobretudo, nas receitas da extorsão a que são submetido pelo menos 80 por cento dos comerciantes locais. Segundo as autoridades, pelo menos 90 mil comerciantes da região pagam à Camorra para poderem manter os seus estabelecimentos abertos e 150 mil pessoas são vítimas de usura. No que diz respeito às empresas, os investigadores afirmam que 50 mil já foram abordadas pelos mafiosos para pagarem ‘impostos’ e os que se recusaram sofreram ataques. Segundo Agostino Córdova, ex-chefe das Finanças de Nápoles, a Camorra “condiciona todas as relações económicas e sociais, controlando praticamente todo o território napolitano. Controla também a pequena criminalidade e serve-se dela”.
Aquele responsável, que esteve oito anos à frente da fiscalidade de Nápoles, recorda, a propósito, que em 1901 a comissão real que investigou as actividades ilícitas em Nápoles concluiu que o “erro mais grave foi o de permitir que a Camorra se agigantasse e se infiltrasse em todos os estratos da vida pública, em vez de a destruir”. Uma conclusão de há um século que continua actual.
Prodi recusa enviar militares para Nápoles, mas perante a vaga de violência, muitos são os que pedem o regresso à lei pelo ‘punho’ das armas. Nos últimos dez dias foram assassinadas 12 pessoas. Só este ano, foram já mortas 75 só na área metropolitana de Nápoles.
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