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Correio da Manhã

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CAMPANHA INUNDA TOLEDO COM 14.273 ANÚNCIOS NA TV

Nem George W. Bush nem John Kerry têm previsto qualquer visita à Califórnia durante este tempo da campanha, apesar de ser o maior Estado, mas ambos já estiveram no Ohio, por exemplo e ambos os campos têm gasto muito dinheiro na campanha neste Estado.
12 de Outubro de 2004 às 00:00
Toledo, um importante centro urbano do Noroeste do Ohio, passa por ser, segundo o ‘Washington Post’, a cidade com maior número de anúncios pagos em televisões por parte dos dois candidatos: segundo o estudo de uma organização de controlo de publicidade citada pelo mesmo jornal, nada menos de 14 273 nas quatro televisões locais de Março até agora. A cadência chega a ser um anúncio a favor de Bush, outro de Kerry, outro de Bush e assim sucessivamente.
Cerca de 60 por cento do país não vê estes anúncios, mas os restantes 40 por cento são bombardeados com publicidade nos principais meios de comunicação locais.
A Califórnia é o maior Estado, tem 55 votos eleitorais, mas conta pouco na campanha. É que o sistema eleitoral não prevê o sistema de eleição directa. Apenas em dois dos 51 Estados americanos não vigora a lei do ‘winner takes all’ – ou seja, quem ganha o Estado ganha todos os votos eleitorais. Há apenas dois em que uma parte dos votos tem em conta o resultado nacional.
O Ohio, pelo contrário, é um dos ‘swing states’ – ‘estados deslizantes’ – o que quer dizer que a vitória não é segura para nenhum dos lados. Por isso, os dois partidos apostam sobretudo neles para tentar ganhar os votos que podem definir a eleição. Há quatro anos, Bush derrotou Al Gore no Ohio por 3.6 por cento dos votos, mas na zona de Toledo perdeu por 17 mil. Com os seus 20 votos eleitorais, Ohio é crucial, como o foi a Flórida em 2000, onde Bush ganhou por 500 votos e os 27 votos eleitorais em disputa. Há cerca de 20 Estados em que não há vitória assegurada.
Em Toledo, a publicidade televisiva relativa à campanha presidencial monta até agora a cerca de 8 milhões de dólares (cerca de € 7 milhões), ou três vezes mais do que em 2000. Até porque Al Gore só apostou até um mês antes das eleições e os democratas ficaram com a ideia de que podiam ter ganho o Estado – e a Presidência.
Mas uma parte dessa soma não foi gasta directamente pelos partidos, mas pelos chamados Comités 527, do artigo do Código Fiscal que criou estes grupos, formalmente independentes e que podem gastar o dinheiro livremente, ao contrário dos candidatos. Mas Bush tem os seus ‘527’ e Kerry também. E quem contribui para o candidato também normalmente dá dinheiro para um dos seus ‘527’.
Nesses anúncios, o campo de Bush pode passar só a imagem e a voz de Kerry por entenderem que todos notam as contradições. Ou o contrário. É, muitas vezes, uma campanha só pela negativa, a denegrir o adversário.
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