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Correio da Manhã

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Canadiano deportado e torturado por erro

O governo canadiano vai indemnizar e já pediu publicamente desculpas a Maher Arar, um canadiano de origem síria deportado pelos EUA em 2002 para a Síria, onde foi encarcerado e alegadamente torturado durante quase um ano. Tudo porque as autoridades julgaram tratar-se de um extremista islâmico.
28 de Janeiro de 2007 às 00:00
O Canadá indemnizará Arar em 10,5 milhões de dólares canadianos para o compensar daquilo que o primeiro-ministro canadiano, Ste-phen Harper, qualificou de “terrível experiência traumática”.
Arar regressava ao Canadá depois de umas férias na Tunísia quando o avião em que viajava fez escala em Nova Iorque. Foi então que as autoridades norte-americanas, ao abrigo do programa da rendição extraordinária – que permite à CIA transferir alegados suspeitos de terrorismo – o detiveram e deportaram para a Síria, onde foi encarcerado e alegadamente torturado.
Após intensas pressões, Arar, um engenheiro informático de 36 anos, foi libertado, em 2003. Saliente-se que na sequência de todo este processo Arar passou a sofrer de depressão e stress pós-traumático. E, finalmente, recorreu à Justiça.
Um inquérito do governo canadiano inocentou o cidadão canadiano de qualquer envolvimento em acções de terrorismo e o executivo formulou agora um pedido oficial de desculpas a Arar, que será indemnizado.
OUTROS ENGANOS DA CIA
O caso de Maher Arar está longe de constituir o primeiro erro no combate ao terrorismo. Um dos mais mediáticos é o de Khaled el-Masri, um alemão de origem libanesa que garantiu ter sido torturado a bordo de um avião da CIA em 2003, antes de ser levado para o Afeganistão, onde ficou detido um ano até ser apurado que estava inocente. Outro caso conhecido é o do imã Abu Omar. Na sequência do seu sequestro, a polícia italiana emitiu mandados de captura contra quatro norte-americanos.
SOLTAS
LISTA DE TERROR
O Canadá exortou Washington a retirar o canadiano da sua lista de suspeitos de terrorismo, o que as autoridades dos EUA recusam.
RENDIÇÃO
Maher Arar, que se mudou para o Canadá aos 17 anos, é o caso mais conhecido de rendição extraordinária, prática em que os EUA enviam suspeitos de terror para interrogatório noutro país.
DEMISSÃO
Como consequência do erro das autoridades canadianas, o responsável da Polícia Montada resignou ao seu cargo no final do ano passado.
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