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Correio da Manhã

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Candidatos às eleições municipais no Brasil apoiados por Bolsonaro em queda

Presidente pretendia reforçar influência a nível local para cimentar candidatura às presidenciais de 2022.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 7 de Novembro de 2020 às 09:08
Fracasso dos candidatos apoiados por Bolsonaro nas municipais pode ser um sinal preocupante para as aspirações do presidente à reeleição em 2022
Fracasso dos candidatos apoiados por Bolsonaro nas municipais pode ser um sinal preocupante para as aspirações do presidente à reeleição em 2022 FOTO: EPA
O plano de Jair Bolsonaro de fazer eleger um grande número de autarcas e vereadores aliados nas eleições municipais de 15 de novembro para pavimentar o seu projeto maior, de ser reeleito presidente em 2022, está muito perto de resultar num rotundo fracasso, com os candidatos apoiados pelo presidente em queda acentuada na sondagens.

Exemplos disso ocorrem por todo o Brasil, mas são particularmente gritantes nas três maiores cidades e colégios eleitorais do Brasil, São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. A uma semana da primeira volta, e apesar do uso insistente da imagem e do apoio do presidente, nenhum dos seus candidatos parece ter hipótese de vencer, e logo nas três cidades que podem decidir as presidenciais de 2022.

Em São Paulo, onde a situação, apesar de tudo, ainda dá alguma esperança, o repórter Celso Russomanno, candidato da IURD fortemente apoiado por Bolsonaro, começou a disputa nove confortáveis pontos à frente do autarca e candidato à reeleição, Bruno Covas, mas foi caindo e, na sondagem divulgada este sábado, já aparece em segundo lugar, com 16%, 12 pontos a menos do que Covas, que tem 28%. Desesperado, Russomanno já mandou tirar da sua campanha todas as referências ao ‘padrinho’ Bolsonaro.

No Rio, reduto eleitoral do clã Bolsonaro, o autarca e candidato à reeleição, Marcelo Crivella, bispo da IURD, mesmo tendo ido reunir-se em Brasília com o presidente para deixar o apoio ainda mais claro, não consegue passar dos 15%, contra 31% do líder nas sondagens, o ex-autarca Eduardo Paes. Já em Belo Horizonte, terceira maior cidade brasileira, o candidato a autarca escolhido por Bolsonaro, Bruno Engler, só por um milagre pode sonhar com a vitória, pois reúne apenas 4% das intenções de votos, contra 65% do atual autarca e candidato à reeleição, Alexandre Kalil.


pormenores
Mensagem dúbia
Bolsonaro gravou uma estranha mensagem de apoio ao autarca do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, pois, ao mesmo tempo em que pedia aos seus seguidores para votarem nele, acrescentou que, se não quisessem votar, “não havia problema”.

Filho apreensivo
Apesar do apoio do pai, Carlos Bolsonaro, candidato à reeleição como vereador no Rio de Janeiro, admitiu a assessores que dificilmente conseguirá ser reeleito, pois as pessoas não entendem que ele quase nunca aparece na câmara porque está a ajudar o pai em Brasília.
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