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Correio da Manhã

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Cardeal defende uso do preservativo

É mais uma figura influente da Igreja que desafia abertamente o Vaticano e deixa todos de olhos arregalados de surpresa. De facto, ninguém esperava que o cardeal Georges Cottier, um dos teólogos preferidos de João Paulo II, afirmasse publicamente que o uso do preservativo pode ser legítimo para travar a disseminação da sida nos países pobres.
2 de Fevereiro de 2005 às 00:00
A verdade é que Cottier fez essa declaração à agência italiana Apcom, aumentando a pressão sobre o Vaticano para rever a sua posição.
Para o cardeal Cottier, que rejeita o uso de contraceptivos, há uma justificação moral para o uso do preservativo em determinadas circunstâncias para conter o avanço da sida. Segundo ele, já não é apenas uma questão de permitir a transmissão da vida, mas de prevenir activamente a morte de um parceiro sexual.
Este poderoso argumento de adoptar o menor dos males tem sido usado por bispos em Espanha e França. Ainda recentemente o bispo da Conferência Episcopal espanhola Juan Antonio Martinez Camino defendeu o uso do preservativo, mas retractou-se logo a seguir sob pressão do Vaticano.
A verdade é que são cada vez mais os homens da Igreja que defendem esta posição e o Vaticano poderá não ter outra alternativa senão admitir que se trata de uma questão complexa que não se compadece com a proibição pura e simples do uso do preservativo.
Aliás, sabe-se que na mensagem que irá dirigir no Dia Mundial dos Doentes, no próximo dia 11, o Papa referir-se-á à adopção de estratégias menos desejáveis na luta contra a sida, que se tornou um verdadeiro flagelo em certas zonas do Globo.
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