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Correio da Manhã

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CARRASCOS DE BALI DESEJAM MARTÍRIO

O presumível autor do plano dos atentados simultâneos à bomba que em Outubro do ano passado provocaram na ilha indonésia de Bali 202 mortos, sobretudo turistas estrangeiros, agradeceu aos procuradores terem pedido a sua sentença de morte, afirmando estar pronto para o martírio.
11 de Agosto de 2003 às 16:09
Imam Samudra, um informático com 33 anos de idade, compareceu esta segunda-feira em tribunal, para ouvir as alegações finais da Acusação, que pediu sentença de morte. Vestindo todo de branco, à maneira islâmica, Samudra reagiu ao pedido de morte lendo uma declaração pessoal, que começou com versos do al-Corão. O arguido agradeceu à Acusação por ter pedido sentença de morte, afirmando que – e citamos – “na morte se vive em paz (...) e próximo de Deus”. Quando o conduziam para fora da sala de audiências, gritou: “Estou pronto para morrer mártir!”. A leitura da sentença está marcada para a próxima quinta-feira.
Há menos de uma semana, o militante islâmico Amrozi, conhecido por “terrorista sorridente” (pela expressão que exibiu em tribunal durante todo o julgamento), foi condenado à morte por pelotão de fuzilamento pelo seu papel no mesmo atentado. Na altura, Amrozi garantiu querer o martírio pela morte, mas facto é que o seu advogado interpôs recurso da sentença. O causídico não explicou as razões do recurso, mas declarou ter argumentado com o seu cliente que “correr para a bala não é martírio”. Esta reacção da defesa de Amrozi deverá adiar por algum tempo a execução do condenado.
Samudra e Amrozi, dois dos 30 arguidos acusados no âmbito dos atentados de Bali, foram alunos do sacerdote islâmico radical Abu Bakar Bashir, presumível líder espiritual da organização terrorista Jemaah Islamiah, alegado braço da al-Qaeda no Sudeste Asiático. Bashir, que nega a existência da Jemaah Islamiah (grupo suspeito de conduzir os atentados em Bali), está a ser julgado em Jacarta, por traição, e poderá ser condenado a prisão perpétua. A Acusação neste julgamento vai apresentar amanhã as alegações finais.
O desejo de martírio manifestado por Samudra e por Amrozi concretiza os receios de alguns analistas e académicos indonésios, que nos jornais daquele país têm escrito artigos alertando para os perigos de as sentenças de morte galvanizarem o espírito dos radicais, acabando por estimular o terrorismo, em vez de o combater. A partir da prisão, Bashir enviou uma mensagem para o Congresso do Conselho Indonésio dos Mujahideen (MMI), reunido desde ontem em Solo. Na mensagem, Bashir apela aos muçulmanos para que não temam ser rotulados de terroristas. De acordo com fontes próximas deste Congresso, o MMI deverá reeleger Bashir como seu líder espiritual... no mesmo dia em que o Ministério Público da Indonésia vai pedir uma sentença dura contra ele.
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