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Correio da Manhã

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Cartão vermelho a Sarney no Senado

Quando até a oposição parecia já ter esgotado os argumentos para exigir a renúncia de José Sarney da presidência do Senado, um aliado do presidente, Eduardo Suplicy, do Partido dos Trabalhadores, surpreendeu todos ao mostrar um cartão vermelho ao líder da câmara alta e exigir a alto e bom som a sua saída.
27 de Agosto de 2009 às 00:30
José Sarney tem cada vez menos espaço de manobra no Senado; agora até os aliados exigem a sua demissão
José Sarney tem cada vez menos espaço de manobra no Senado; agora até os aliados exigem a sua demissão FOTO: direitos reservados

Suplicy, um dos senadores mais populares do Brasil, afirmou, num discurso cheio de referências futebolísticas que o melhor que Sarney tem a fazer é renunciar ao cargo e deixar que investiguem as inúmeras denúncias de desvio de verbas e outras irregularidades que pesam sobre ele.

De seguida, Suplicy puxou de um cartão vermelho, similar aos usados no futebol, e exibiu-o em direcção à mesa da presidência. Sarney, no entanto, irritado com o discurso hostil do aliado, tinha-se retirado pouco antes.

No dia anterior, Eduardo Suplicy, um dos senadores do partido de Lula que não concordaram com o arquivamento sumário das denúncias contra Sarney, já tinha feito um outro discurso contra o presidente daquela câmara, mas dessa vez tinha apenas pedido que Sarney aceitasse uma investigação sobre as acusações.

Entretanto, num outro desdobramento da crise no Senado, os representantes dos dois maiores partidos da oposição retiraram-se do Conselho de Ética, que, dominado por aliados do governo e sob forte pressão de Lula, arquivou todas as acções contra Sarney sem sequer as discutir.

89 ESCÂNDALOS NO CONGRESSO DESDE JANEIRO

O ritmo desesperantemente lento da produtividade de deputados e senadores no Brasil contrasta com a frenética sucessão de escândalos em que estão envolvidos. Um levantamento feito por jornalistas brasileiros contabilizou, no que vai do ano, nada menos do que 89 escândalos protagonizados por parlamentares, governamentais e oposicionistas. Entre os vários casos conta-se o uso de verbas públicas para custear despesas pessoais, contratação de familiares e amigos, recebimento de horas extras em férias, contratação de empresas que recebem sem executar qualquer serviço, ocultação de mansões erguidas com dinheiro sem origem conhecida e muitos outros excessos pagos com o dinheiro dos contribuintes.

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