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Correio da Manhã

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Célula terrorista pronta a atacar

Uma terceira célula terrorista está a planear atentados no Reino Unido visando estações do Metro e outros alvos do centro de Londres. Segundo fontes policiais anónimas, esta foi a razão do reforço da segurança na capital britânica na passada quinta-feira, quando um aparato policial nunca visto desde a Segunda Guerra Mundial patrulhou estações e carruagens de Metro. A Imprensa britânica revela ainda que está a ser investigada a possibilidade de os atentados dos dias 7 e 21 terem sido planeados e dirigidos a partir da Arábia Saudita.
1 de Agosto de 2005 às 00:00
A polícia mentiu quando afirmou não haver ameaças específicas a justificar o aparato de segurança
A polícia mentiu quando afirmou não haver ameaças específicas a justificar o aparato de segurança FOTO: Mike Finn-Kelcey/Reuters
Contradizendo a versão oficial da Scotland Yard, que classificou o reforço policial como uma medida puramente preventiva, o jornal ‘The Sunday Times’ afirma que o aparato de segurança, envolvendo mais de seis mil agentes, foi a resposta a informações precisas que alertavam para a iminência de um atentado.
O mesmo jornal adianta que os investigadores sabem da existência de uma terceira célula, independente das que atacaram este mês, com acesso a explosivos e planos para lançar uma onda de atentados.
Estas informações explicam a razão de Peter Clarke, responsável da divisão de combate ao terrorismo da Scotland Yard, referir que as capturas dos suspeitos dos atentados de dia 21 não anulam as ameaças.
Outro responsável referiu mesmo que as capturas de sexta-feira são apenas “a ponta do icebergue”.
Quanto à possibilidade de a Arábia Saudita ter sido a sede da planificação dos ataques, a pista é um telefonema feito por Osman Hussein, o quarto bombista de dia 21, horas antes de ser capturado em Roma.
PASSAPORTE PORTUGUÊS
A tese da terceira célula foi reforçada pela descoberta junto ao aeroporto de Heathrow de um saco contendo cartões de crédito e passaportes falsos, um dos quais português. O saco, considerado uma ‘mina de ouro’ para terroristas, foi encontrado na quarta-feira por um taxista.
NAMORADAS DE SUSPEITOS TENTARAM DEIXAR O PAÍS
As namoradas de dois dos bombistas de dia 21 foram detidas na sexta-feira quando tentavam fugir do país vestidas com as tradicionais burqas islâmicas. Fontes policiais afirmam tratar-se das namoradas de Ramzi Mohamed e Muktar Said Ibrahim, presumível líder dos bombistas.
Depois de serem avistadas a sair do apartamento de Kensington onde pouco depois seriam capturados os suspeitos, as mulheres foram seguidas e detidas em Liverpool Street, quando tentavam comprar bilhetes de comboio, provavelmente para o aeroporto de Stansted.
Os agentes da polícia mandaram-nas deitar no chão e mantiveram as armas apontadas às suas cabeças. Na altura temia-se que se tratasse de homens disfarçados.
As mulheres foram levadas para a esquadra de Paddington Green, onde estão os namorados, mas foram libertadas horas depois. Uma fonte policial afirmou que não havia provas envolvendo-as nos atentados e concluiu: “Estão a ser consideradas testemunhas e não suspeitas”.
ADVOGADA DIZ QUE BOMBISTA "NÃO É UMA PESSOA VIOLENTA"
“Não é uma pessoa violenta. Fez tudo para assegurar que as suas acções não provocavam estragos ou mortes.” Foi desta forma que a advogada italiana Antonietta Sonnessa descreveu ontem o seu cliente, o bombista Osmar Hussain, detido sexta-feira em Roma por implicação nos atentados de dia 21, em Londres.
“Não era um kamikaze e não pode ajudar a polícia porque simplesmente não está ligado a nenhuma organização terrorista”, afirmou ainda a advogada, que pretende contestar a extradição de Osman para o Reino Unido.
Recorde-se que Osman confessou ser um dos bombistas assegurando que a guerra no Iraque justificou os atentados, cujo objectivo era “semear o pânico”.
A afirmação é um golpe para o primeiro-ministro Tony Blair, que ainda este mês refutou qualquer ligação entre o radicalismo islâmico e o conflito no Iraque.
À MARGEM
GOVERNO DIALOGA COM LÍDERES ISLÂMICOS
Líderes da comunidade islâmica e responsáveis do governo britânico vão manter encontros no âmbito de uma iniciativa destinada a melhorar as relações após os atentados de Londres. Após uma série de oito encontros, o ministro do Interior, Charles Clarke, anunciará um conjunto de “propostas concretas”. As reuniões contarão igualmente com a presença de representantes da polícia, deputados e membros de outras comunidades religiosas.
EUA ALERTAM AMERICANOS NO KOWEIT
A embaixada dos EUA no Koweit alertou os cidadãos americanos para o risco de atentados. “Os terroristas não distinguem entre alvos oficiais ou civis. As acções terroristas podem incluir atentados à bomba, sequestros, ou assassinatos”, lê-se numa nota colocada no ‘site’ da embaixada. O país alberga cerca de 30 mil soldados americanos e 12 mil civis, sendo uma das principais rotas de entrada no Iraque.
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