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Cem mil fogem da violência xenófoba

O alto comissariado das Nações Unidas para os Refugiados denunciou que cem mil pessoas foram deslocadas, 62 morreram e 670 ficaram feridas nos principais centros urbanos da África do Sul devido aos ataques xenófobos das últimas semanas. Entre os mortos, 26 são cidadãos moçambicanos.
1 de Junho de 2008 às 00:30
Antes de serem conduzidos para as suas aldeias, os imigrantes que regressam a Moçambique vindos da África do Sul comem uma refeição quente
Antes de serem conduzidos para as suas aldeias, os imigrantes que regressam a Moçambique vindos da África do Sul comem uma refeição quente FOTO: Jon Hrusa/EPA

"A maioria dos deslocados são imigrantes ilegais de Moçambique, Malawi e de outros países africanos", sendo que alguns regressaram ao seu país de origem ou viajaram para um terceiro país, referiu em comunicado aquele organismo da ONU.

Perante a fuga maciça dos seus cidadãos, o governo de Maputo activou o Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC) para responder ao êxodo dos seus imigrantes que têm regressado ao país. Segundo fontes daquele instituto, mais de 34 mil pessoas já regressaram, tendo sido "criados centros de transição para acolher as pessoas que vêm de África do Sul". Após permanecerem ali alguns dias, a maior parte "segue de camião ou de comboio para as suas aldeias".

A onda de violência contra imigrantes eclodiu no dia 11 do mês passado num bairro pobre dos arredores de Joanesburgo e espalhou-se rapidamente pelo país. Para o relator da ONU para o Racismo, Doudou Diene, é imperioso que o governo sul-africano reflicta sobre "as causas profundas" da violência e ordene uma investigação para apurar os responsáveis pela violência.

JOÃO RIBEIRO, DIRECTOR-GERAL DO INSTITUTO DE CALAMIDADES (INDC): "SOMOS OS MELHORES"

Correio da Manhã – Quantos imigrantes moçambicanos vivem na África do Sul?

João Ribeiro – Cerca de um milhão e 200 mil, sendo que mais de metade trabalha nas minas. Os outros trabalham na agricultura, têm oficinas de automóveis e pequeno comércio. Os sul-africanos dizem que somos os melhores trabalhadores no país.

– Os que têm regressado a Maputo levam os seus haveres?

– A maioria tem a intenção de voltara para África do Sul quando a situação acalmar. Mas os que regressam com os seus haveres dizem que nunca mais voltam.

PORMENORES

Portugal pede apoio

O embaixador de Portugal em Maputo apelou para um "gesto de apoio e de solidariedade" das empresas portuguesas que operam em Moçambique para ajudar as vítimas.

Zuma visita deslocados

O presidente do Congresso Nacional Africano (ANC), Jacob Zuma, visitou ontem 700 deslocados da violência xenófoba albergados numa esquadra da polícia de Joanesburgo.

Início dos conflitos

A onda de violência xenófoba contra imigrantes começou em 11 de Maio num bairro pobre dos arredores de Joanesburgo e espalhou-se pelo país.

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