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Centrais nucleares do Japão representam "perigo real"

A situação das centrais nucleares de Fukushima (Japão) , danificadas pelo sismo que devastou o nordeste do Japão, representa um "perigo real", apesar de não ser comparável ao acidente de Chernobyl, na Ucrânia, em 1986, avaliou este sábado um especialista português.

12 de Março de 2011 às 15:50
Explosão em central nuclear de Fukushima
Explosão em central nuclear de Fukushima FOTO: Kim Kyung Hoon / Reuters

"O principal risco é o derrame de material radioactivo para a água, ou para a atmosfera, como aconteceu em Chernobyl", disse à agência Lusa João Seixas, especialista em física de partículas elementares e responsável pelo grupo português na experiência do acelerador de partículas LHC (Large Hadron Collider) do CERN (Organização Europeia para a Investigação Nuclear).

João Seixas alertou que uma explosão "deve ser impedida a todo o custo" devido ao eventual derrame para a atmosfera ou para a água, de material radioactivo, que poderá ser transportado e disseminado rapidamente para seres vivos.

Ressalvando que não é suficientemente especializado nesta área para dar uma opinião abalizada, apesar de ter recebido formação em física nuclear muito avançada, João Seixas indicou que actualmente "há protocolos internacionais estabelecidos para garantir os sistemas de segurança" nestes casos.

"Essencialmente, a primeira coisa que se faz é evacuar as pessoas e monitorizar a situação, e é o que o Japão está a fazer. Eles têm com certeza todos os protocolos de segurança controlados e activados", sublinhou.

Inicialmente, as autoridades japonesas tinham estipulado um raio de dez quilómetros em torno das centrais nucleares de Fukushima, mas na sequência de uma explosão num edifício que alberga o reactor número um da central, o perímetro foi aumentado para 20 quilómetros.

Em resultado desta explosão, quatro empregados ficaram ligeiramente feridos, mas as autoridades japonesas garantem que estão a adoptar todas as medidas para assegurar a segurança dos habitantes.

João Seixas considera que apesar dos riscos, a situação no Japão "nada tem a ver com Chernobyl" - o mais grave acidente nuclear de sempre - porque a central ucraniana "encontrava-se em muito mau estado e sem segurança".

"Tudo o que poderia correr mal nestes casos aconteceu em Chernobyl", recordou.

Na sexta-feira, um sismo de magnitude 8,9 na escala aberta de Richter abalou o Japão e provocou um tsunami que atingiu a costa do país com uma onda de cerca de 10 metros de altura.

O último balanço oficial dá conta de 568 mortos, mas as previsões apontam para um número acima na ordem dos milhares.

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