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Cessar-fogo da ETA dentro de 3 meses

O grupo terrorista basco ETA poderá estar prestes a anunciar um cessar-fogo na sequência de contactos indirectos com o governo espanhol. Segundo o jornal ‘El Mundo’, a trégua poderá ser anunciada nos próximos três meses e abrirá caminho a negociações formais entre o governo e os terroristas.
13 de Setembro de 2005 às 00:00
Cessar-fogo da ETA dentro de 3 meses
Cessar-fogo da ETA dentro de 3 meses FOTO: d.r.
Segundo aquele diário espanhol, que cita fontes ligadas às negociações, os “contactos indirectos” entre o governo e a ETA decorrem há já algum tempo e intensificaram-se, com resultados “frutíferos”, durante o passado mês de Agosto. Ainda de acordo com as mesmas fontes, a fórmula acordada por ambos os lados é que o governo e a ETA “estão em fase de negociação de uma trégua”.
Mas o jornal vai mais longe e afirma mesmo que, salvo algum recuo imprevisto dos terroristas, a data do cessar-fogo “já está definida” e deverá ser anunciada “nos próximos três meses”, ou seja, ainda antes do final do ano.
Ainda de acordo com o ‘El Mundo’, este anúncio permitiria ao governo de José Luís Zapatero pedir formalmente ao Parlamento autorização para negociações directas com o grupo terrorista, as quais decorreriam de acordo com um calendário “que é do conhecimento das partes interessadas” e que culminaria com o anúncio do fim da luta armada da ETA e do seu desmantelamento.
Esta notícia, que o governo recusou confirmar, vem no seguimento de especulações recentes por parte da Imprensa espanhola sobre um possível cessar-fogo da ETA, motivadas, particularmente, pelo facto de o grupo terrorista não ter conduzido este ano qualquer ‘campanha de Verão’, com atentados contra alvos turísticos, o que já não acontecia há vários anos. A ETA, recorde-se, tem levado a cabo ataques de pequena dimensão, o último dos quais no final de Julho, mas não mata ninguém há mais de dois anos.
Ainda ontem, o jornal ‘El País’ noticiou que o governo exigiu aos membros do ilegalizado Batasuna que “pressionassem” a ETA com vista a abandonar a luta armada. “Chegámos ao limite das nossas possibilidades de actuação. Agora o Batasuna deve pressionar a ETA para abandonar as armas. Enquanto a ETA permanecer em silêncio não será possível abrir um processo de paz”, afirmou fonte governamental ao jornal.
OPOSIÇÃO CRITICA
O Partido Popular, principal partido da oposição, já se insurgiu contra estes contactos secretos entre o governo e a ETA, afirmando que, se o governo de Madrid pretende respeito não deverá manter mais negociações “sem o abandono das armas e da violência” por parte do grupo terrorista. Para o líder do PP, Mariano Rajoy, a possibilidade de o governo estar a manter contactos com a ETA é uma notícia “muito grave”, “contrária o que faria qualquer estado democrático” e sinal de “enfraquecimento e grande irresponsabilidade”.
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