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Correio da Manhã

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Chacina em duas mesquitas

Foi mais um dia trágico no Iraque. Pelo menos 77 pessoas morreram ontem na sequência de novos atentados suicidas contra mesquitas xiitas, que estavam repletas de fiéis em dia de oração. Na capital, dois camiões-bomba explodiram num bairro residencial, causando a morte a seis pessoas, duas das quais crianças.
19 de Novembro de 2005 às 00:00
Um iraquiano carrega o filho, após mais um ataque em Bagdad
Um iraquiano carrega o filho, após mais um ataque em Bagdad FOTO: Ali Haider, Epa
Os atentados suicidas foram perpetrados nas mesquitas xiitas de Khanaqin, na província de Diyala, nordeste do país. Dois bombistas fizeram-se explodir, quase simultaneamente, no interior das mesquitas de Masrah e Mahdi, repletas de fiéis que faziam as habituais orações muçulmanas das sextas-feiras.
Segundo números fornecidos pelo governo iraquiano, os ataques suicidas mataram pelo menos 77 pessoas e feriram mais de 150. No entanto, as autoridades prevêem que mais de uma centena de pessoas tenha perdido a vida. A anteceder os dois atentados, tinha já sido explodido um carro armadilhado próximo do banco local.
Em Khanaqin, localizada a cerca de 30 quilómetros da fronteira com o Irão, convivem xiitas e curdos. Até ontem, a cidade tinha sido poupada da vaga de violência diária que varre o país.
Já na capital, Bagdad, dois camiões-bomba que deveriam ter atingido o Hotel Hamra, acabaram por destruir um bloco residencial, provocando a morte a pelo menos seis pessoas, incluindo duas crianças. Em relação a este ataque, não foi divulgada qualquer informação relativa a vítimas estrangeiras. De acordo com testemunhas, foram encontrados pedaços de cadáveres espalhados pela rua e até na piscina do hotel.
Os atentados e ataques sucedem-se no país, apesar das operações antiterroristas conjuntas entre forças norte-americanas e iraquianas. Ontem, o comando militar dos EUA anunciou que 32 rebeldes foram mortos durante um confronto armado nos arredores de Ramadi. No incidente, ocorrido na noite de quinta-feira, ficaram ainda feridos um soldado norte-americano e outro iraquiano. Mas os confrontos mais violentos travaram-se no centro da cidade, onde uma patrulha norte-americana foi atacada.
Segundo Anthony Cordesman, ex-conselheiro da Casa Branca, poderão estar a combater no Iraque mais de três mil estrangeiros, que constituem apenas uma pequena parte da rebelião. Em maior número estão rebeldes argelinos, sírios e iemenitas.
ONU QUER PRISÕES INVESTIGADAS
A Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Louise Arbour, exigiu ontem uma investigação internacional às condições em que são mantidos os prisioneiros no Iraque. As declarações de Arbour surgem na sequência de notícias que dão conta da existência de presos num ‘bunker’ no edifício do Ministério do Interior iraquiano, em Bagdad, com evidentes indícios de torturas.
“O factor internacional ajudará, de modo imparcial e objectivo, a resolver problemas no sistema prisional”, declarou Arbour. “Solicito às autoridades que levem em conta o meu pedido”, acrescentou a responsável. O governo iraquiano reconheceu já a veracidade das informações avançadas, prometendo averiguar as instalações prisionais em todo o país.
Recorde-se que, no início da semana, soldados norte-americanos depararam com 173 prisioneiros – entre os quais vários adolescentes –, maioritariamente sunitas, com indícios de má nutrição, apresentando alguns deles sinais de brutais espancamentos.
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