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Charlie Hebdo regressa aos quiosques de Paris

Jornal satírico retornou às bancas, mas sem filas de espera.
25 de Fevereiro de 2015 às 09:53
Não houve filas de pessoas que madrugaram para comprar o novo número do Charlie Hebdo
Não houve filas de pessoas que madrugaram para comprar o novo número do Charlie Hebdo FOTO: Ian Langsdon/EPA

O jornal satírico Charlie Hebdo regressou esta quarta-feira às bancas, com uma tiragem de 2,5 milhões de exemplares, quase dois meses depois do ataque terrorista que dizimou a redação do semanário, em Paris.

Desta vez, não houve filas de pessoas que madrugaram para comprar o jornal e os exemplares não foram escoados logo nos primeiros minutos, ao contrário do último número, que ficou conhecido como a "edição dos sobreviventes", a 14 de janeiro.

Sandrine Mathieu, funcionária pública, de 35 anos, disse à Lusa que esteve à espera "dois dias até conseguir a última edição, logo após os atentados", e agora "tentou" comprar dois exemplares - um para ela, outro para os pais - e conseguiu.

"Não se reduz às caricaturas de Maomé"

"O Charlie Hebdo não se reduz às caricaturas de Maomé", apontou Marilord Benisti, funcionária no ministério francês da Cultura. "O que é mais curioso é que as pessoas veem o Maomé em todo o lado, mesmo quando não há Maomé nenhum!", sustentou. 

A parisiense, de 59 anos, mostrou-se "aliviada" pela retoma da produção do jornal e também ficou surpreendida por ter conseguido comprar o semanário antes de ir para o trabalho, constatando que "desta vez" havia menos gente nos quiosques.

Na véspera, a gerente do quiosque não aceitou reservas por causa da corrida à compra do jornal desencadeada a 14 de janeiro. Hoje, cerca de uma hora após a abertura já tinha vendido metade dos 50 exemplares que recebeu. "Desta vez, há menos entusiasmo, mas de certeza que ao meio-dia já não tenho nenhum exemplar. Não houve filas, ao contrário do dia 14 de janeiro, quando abrimos às seis da manhã de propósito", explicou.

Capa do Charlie Hebdo

Não há Maomé na capa, mas um fundo vermelho-sangue, de onde se destaca um cão com o Charlie Hebdo na boca a fugir de uma matilha de cães enraivecidos a evocarem as figuras de Marine Le Pen, de Nicolas Sarkozy, do Papa Francisco, de um jihadista, de um banqueiro e, no meio da confusão, vê-se um microfone do canal televisivo BFM TV.

Na legenda, pode ler-se "C'est reparti" (qualquer coisa como "Aqui vamos nós outra vez").

Doze funcionários mortos

Os atentados terroristas contra a redação do Charlie Hebdo, perpetrados a 7 de janeiro, fizeram 12 mortos entre jornalistas e funcionários.

Entre os mortos estavam o diretor e outros três dos principais cartoonistas do jornal: Stéphane "Charb" Charbonnier, 47 anos, jornalista, cartoonista e diretor e Jean "Cabu" Cabut, 76 anos; Georges Wolinksi, 80 anos, e Verlhac "Tignous" Bernard, 58 anos.

No mesmo dia, foi também perpetrado um ataque terrorista contra um supermercado judaico na capital francesa, que fez quatro mortos. Os três autores dos atentados, dois contra o Charlie Ebdo e um no supermercado judaico, foram também mortos pela polícia francesa.

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