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Correio da Manhã

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Chávez: Mulheres não precisam de implantes para serem bonitas

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, referiu-se quarta-feira à situação decorrente da ruptura de implantes mamários fabricados pela francesa Poly Implant ProthŠse (PIP), lamentando que as mulheres se deixem convencer de que necessitam deles para serem bonitas.
5 de Janeiro de 2012 às 14:01
Chávez recebeu a Miss Mundo 2011, a venezuelana Ivian Sarcos
Chávez recebeu a Miss Mundo 2011, a venezuelana Ivian Sarcos FOTO: EPA

"Devemos actuar em prol da protecção do nosso povo, mas além disso devemos fazer um apelo à nossa população jovem feminina, que tenha cuidado, porque primeiro lhe metem na cabeça de que necessitam disso para ser belas", disse.        

O presidente da Venezuela falava no palácio presidencial de Miraflores, à saída de um encontro com Ivian Sarcos, a Miss Mundo 2011, durante o qual conversaram sobre os projectos que a venezuelana projecta iniciar para ajudar os carenciados.         

Hugo Chávez enfatizou que é "lamentável a degeneração da beleza impulsionada pelo capitalismo" e enviou uma mensagem às jovens venezuelanas de que "para alcançar a beleza não é indispensável ter uma prótese" mamária.        

Falando do custo das operações sublinhou que algumas vezes que os pais oferecem às suas filhas cirurgias de implantes mamários, "quando fazem 15 anos" e instou-os "a pensar um pouco" porque "isso é parte da publicidade capitalista".         

Chávez admitiu que "essa é uma decisão dos pais que deve ser respeitada" e fez um chamado ao Ministério da Saúde para acompanhar a situação dos implantes PIP e estar alerta.    

200 VENEZUELANAS VÃO PROCESSAR PIP     

Aproximadamente 200 venezuelanas que se submeteram a cirurgias de implantes mamários PIP anunciaram que vão processar a empresa fabricante perante a justiça da Venezuela.         

Segundo o jurista Gilberto Andrea, advogado das venezuelanas a queixa será também "contra todos os que tenham comercializado as próteses PIP e tenham obtido qualquer tipo de dividendo" no país.         

"Elas estão exigindo uma cirurgia de reparação, que as deixe nas melhores condições possíveis, extraia o implante e faça o re-implante", disse aquele responsável, vincando que exigem ainda o pagamento dos gastos hospitalares e médicos.         

Uma investigação levada a cabo pela Sociedade de Cirurgiões Plásticos da França, em 2010, revelou que os implantes PIP tinham um grau de ruptura muito mais elevado que outros e que o silicone usado não era apropriado para utilização médica.        

Por suspeitar que os implantes estavam relacionados com a morte de, pelo menos uma mulher e com o aparecimento de cancro da mama, as autoridades francesas suspenderam o seu uso, fabricação, distribuição e exportação dos implantes da empresa que entrou em falência.          

Entre 2007 e 2009 a empresa vendeu 300 mil silicones para países como a Grã-Bretanha, Espanha, os Estados Unidos, a Argentina, Colômbia, Brasil e Venezuela, entre outros.         

A Venezuela anunciou que os hospitais do país vão retirar de forma gratuita os implantes mamários fabricados pela empresa francesa Poly Implant ProthŠse (PIP) às mulheres interessadas.         

Os hospitais estarão disponíveis "só para retirá-los, não para mudá-los", como precisou a ministra da saúde, Eugénia Sader, acrescentando que os PIP "nunca receberam certificação para serem usados na Venezuela".  

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