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Correio da Manhã

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Chávez sofre primeira derrota eleitoral

Ao contrário de todas as sondagens, Hugo Chávez, presidente da Venezuela, conheceu ontem a sua primeira derrota eleitoral, ao ver rejeitada a sua proposta para um reforma socialista da Constituição.
3 de Dezembro de 2007 às 09:00
Houve longas filas para a votação no referendo constitucional venezuelano
Houve longas filas para a votação no referendo constitucional venezuelano FOTO: Ivan Gonzalea, Epa
O bloco A de medidas recolheu 50,7 por cento de votos negativos, enquanto que 51,05 por cento dos venezuelanos respondeu que não ao Bloco B.
Hugo Chávez já admitiu a sua derrota e felicitou os seus adversários. "Por agora, não ganhámos", afirmou o presidente num discurso a todos os venezuelanos.
Os resultados vieram contrariar as três sondagens realizadas à boca das urnas e qua apontavam para um resultado favorável ao presidente venezuelano.
A votação decorreu com normalidade, à parte de pequenos incidentes, mas o clima de medo e incerteza quanto ao futuro permanece.
“Há medo face à questão da segurança e também de que se caminhe para uma sociedade de colectivismo. Evidentemente esse medo é também sentido pelos portugueses”, declarou ontem ao CM José Silva Peneda, um dos dois deputados do PSD ao Parlamento Europeu – o outro é Sérgio Marques – que se encontram na capital venezuelana, Caracas, para acompanhar o referendo à reforma da Constituição como observadores internacionais.
“Falei com vários portugueses e as opiniões divergem. Não são muito activos politicamente, mas estão preocupados com questões como as nacionalizações e a livre iniciativa”, acrescentou Silva Peneda sobre a comunidade lusa, maioritariamente inclinada para o ‘não’ receado por Chávez.
MILHARES DE VENEZUELANOS FESTEJAM
Milhares de venezuelanos saíram às ruas de Caracas para celebrar a vitória do “não”. Os opositores à reforma constitucional de Chávez formaram cortejos automóveis com buzinas, foguetes e tambores, pelas avenidas de Las Mercedes e Chacao.
Em Altamira, os venezuelanos ocuparam a Praça de França, local emblemático para a oposição, cantando canções em apoio à RCTV, o mais antigo canal do país, forçado a deixar de emitir em finais de Maio, por ordem do presidente venezuelano.
RESULTADOS PROVAM QUE PAÍS NÃO É DITADURA
O Embaixador venezuelano em Lisboa, Lucas Rincón Romero, defendeu que a vitória do “não” à proposta constitucional é um sinal de que o país não é uma ditadura, nem Chávez é um ditador.
PROIBIÇÃO DE ÁLCOOL AJUDA SEGURANÇA
A votação no referendo venezuelano esteve rodeada de fortes medidas de segurança. O acto eleitoral foi envolvido por mecanismos especiais, designadamente por um forte dispositivo militar e policial. Concretamente foi accionado o Plano República – o destacamento de militares durante os períodos eleitorais que ocorre desde 1999 no país.
Além de terem sido mobilizados 110 mil efectivos para garantir a segurança dos centros eleitorais, foi ainda enviado, para “distintos cenários” um contingente de 190 mil reservistas. Não foi apenas nas ruas que foi acautelada a delicada questão da segurança, já que desde sexta-feira foi proibida a venda de bebidas alcoólicas nos restaurantes.
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