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Chávez voltará a Cuba para fazer quimioterapia

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, anunciou nesta sexta-feira em Caracas, a capital do país, que vai voltar a Cuba para combater com quimioterapia o cancro que no passado dia 1 reconheceu ter.
16 de Julho de 2011 às 02:37
Líder não adiantou quando será a primeira sessão do difícil tratamento nem quanto tempo poderá ficar na ilha comandada pelos irmãos Fidel e Raul Castro
Líder não adiantou quando será a primeira sessão do difícil tratamento nem quanto tempo poderá ficar na ilha comandada pelos irmãos Fidel e Raul Castro FOTO: Reuters

Chávez leu aos jornalistas o pedido formal enviado ao parlamento venezuelano para se ausentar do país por tempo indeterminado para cuidar da sua saúde.

O líder não adiantou quando será a primeira sessão do difícil tratamento nem quanto tempo poderá ficar na ilha comandada pelos irmãos Fidel e Raul Castro. O pedido de autorização para sair do país tem apenas data de início, o dia deste sábado, mas não de regresso à Venezuela.

Há dias, Chávez, em mais um pronunciamento público através da televisão estatal, tinha afirmado que estava na segunda etapa da doença, e que ainda não sabia se teria que passar para a terceira, que, segundo a sua assessoria informou depois, era a quimioterapia.

Essa possibilidade passou agora a ser uma necessidade real, o que evidencia que a doença do líder da revolução bolivariana, afinal, não está sob controle, como ele e o seu governo têm afirmado.

Nesta sexta-feira, a imprensa do Brasil tinha dado como certa a ida de Hugo Chávez para se tratar num sofisticado hospital de São Paulo, onde também já foram tratados de cancro a presidente Dilma Rousseff, em 2009, quando ainda era pré-candidata à presidência, o presidente do Paraguai, Fernando Lugo, e o ex-vice-presidente do Brasil, José de Alencar, falecido há poucos meses.

A TV Globo e a 'Folha de S. Paulo' chegaram a noticiar que o ministro dos Negócios Estrangeiros da Venezuela, Nicolás Maduro, se tinha encontrado quarta-feira em Brasília em segredo com Dilma Rousseff para confirmar que Chávez iria para o Brasil, o que agora foi desmentido.

Hugo Chávez, que este mês fará 57 anos, surpreendeu o mundo ao submeter-se de urgência a uma cirurgia no dia 10 de Junho em Cuba, país onde estava em viagem oficial.

Nicolás Maduro afirmou nesse mesmo dia que a cirurgia era um procedimento sem importância, uma mera extracção de um abcesso pélvico descoberto por acaso por médicos cubanos que Chávez consultou ao sentir dores. Mas a demora do presidente venezuelano em voltar ao seu país e o seu total isolamento, nem ao menos postando mensagens no Twitter, uma das suas paixões, levantou a suspeita de que algo bem mais grave que o abcesso tivesse ocorrido.

Depois de muita especulação no mundo inteiro e de uma enorme polémica na Venezuela entre forças governamentais e oposicionistas, o próprio Hugo Chávez, ainda em Cuba, enviou no passado dia 1 uma mensagem televisionada para a Venezuela, reconhecendo que está a lutar contra um cancro, sem especificar no entanto de que tipo, e informando que, além da cirurgia para extracção do tal abcesso, se tinha submetido a uma outra, dia 20, para retirar células cancerígenas.

Dia 4, na véspera das comemorações do bi-centenário da independência da Venezuela, Chávez apareceu de surpresa na capital do país, Caracas, garantiu que estava bem, ia vencer a doença e retomar a vida normal. Mas a coisa não parece ser assim tão fácil, até pela decisão anunciada nesta sexta-feira de voltar a Cuba para se submeter a sessões de quimioterapia.

Na quinta-feira, por exemplo, durante um evento público com cobertura televisiva em que parecia bem disposto e até cantou músicas regionais, Chávez teve o seu discurso interrompido por uma enfermeira, que lhe entregou medicamentos para ele tomar ali mesmo.

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