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Correio da Manhã

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Chefes da diplomacia norte-americana e turca falam ao telefone sobre crise dos vistos

Estados Unidos suspenderam no domingo passado os serviços de emissão de vistos norte-americanos na Turquia.
Lusa 11 de Outubro de 2017 às 19:00
Rex Tillerson
Rex Tillerson
Mevlüt Çavuşoğlu, ministro dos negócios estrangeiros turco
Mevlut Cavusoglu
Rex Tillerson
Rex Tillerson
Mevlüt Çavuşoğlu, ministro dos negócios estrangeiros turco
Mevlut Cavusoglu
Rex Tillerson
Rex Tillerson
Mevlüt Çavuşoğlu, ministro dos negócios estrangeiros turco
Mevlut Cavusoglu
Os chefes da diplomacia turca e norte-americana abordaram esta quarta-feira durante uma conversa telefónica a crise provocada pela suspensão da emissão de vistos entre os dois países, divulgou a agência noticiosa turca pró-governamental Anadolu.

Mevlut Cavusoglu e Rex Tillerson "discutiram a suspensão recíproca dos serviços de emissão de vistos", indicou a agência noticiosa, sem adiantar mais pormenores.

Os Estados Unidos suspenderam no domingo passado os serviços de emissão de vistos norte-americanos na Turquia, após as autoridades turcas terem acusado de espionagem um funcionário turco do consulado norte-americano em Istambul.

O funcionário é suspeito de ter ligações ao clérigo Fethullah Gülen (ex-aliado do Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, e atualmente exilado em território norte-americano), que o governo de Ancara responsabiliza pelo golpe de Estado fracassado em julho de 2016.

Ancara reagiu com uma medida semelhante e também suspendeu a emissão de vistos para os cidadãos norte-americanos.

Erdogan não poupou as palavras quando afirmou, na terça-feira, que o embaixador norte-americano na Turquia, John Bass, não era mais considerado "como o representante dos Estados Unidos" no território turco. Os líderes turcos qualificaram o representante diplomático como o instigador da suspensão dos vistos.

Esta quarta-feira, o primeiro-ministro turco, Binali Yildirim, adotou um tom mais conciliador.

"Esperamos que as relações entre os dois aliados voltem rapidamente ao normal", disse.

"Numa altura em que as tensões regionais e globais estão a crescer, não vamos desistir do nosso senso comum", prosseguiu o primeiro-ministro turco.

Washington já manifestou "apoio total" ao embaixador John Bass, esclarecendo que a decisão da suspensão da emissão de vistos foi tomada "em coordenação" com a administração norte-americana.

Entretanto, a justiça turca decidiu convocar para interrogatório um segundo funcionário do consulado de Istambul, decisão que poderá alimentar ainda mais esta crise.

Esta "crise dos vistos" entre Ancara e Washington surge após meses de uma crescente tensão entre os dois países no seio da NATO, em parte por causa de visões discordantes sobre a guerra na Síria e de vários processos judiciais nos Estados Unidos que envolvem nomeadamente elementos da segurança do Presidente Recep Tayyip Erdogan e um ex-ministro turco.

Também a agravar o mal-estar entre os dois países aliados está a exigência da Turquia, até esta quarta-feira sem sucesso, da extradição de Fethullah Gülen, que está exilado nos Estados Unidos desde finais da década de 1990.

Em março passado, um funcionário turco do consulado norte-americano em Adana (sul) foi detido e acusado de apoiar o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK, separatistas curdos), uma organização classificada como "terrorista" por Ancara, Washington e a União Europeia.
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