Diplomata chinês criticou o facto de os políticos britânicos retratarem a China como uma "ameaça" ou "um país hostil".
A China acusou esta segunda-feira o Reino Unido de "ingerência grosseira nos assuntos internos" chineses após a decisão britânica de facilitar o acesso à cidadania aos habitantes de Hong Kong, numa reação à nova lei de segurança de Pequim.
A acusação foi feita pelo embaixador da China em Londres, Liu Xiaoming, numa conferência de imprensa, em que avisou que o Reino Unido "não tem qualquer soberania, jurisdição ou direito de supervisão" em Hong Kong, dando ainda conta da "viva preocupação e forte oposição" à decisão britânica.
"A decisão constitui uma ingerência grosseira nos assuntos internos da China e desrespeita abertamente as normas básicas que regem as relações internacionais. Vamos agora decidir as nossas contramedidas em conformidade com as ações que forem efetivamente tomadas pela parte britânica", frisou Xiamoing.
O diplomata chinês criticou, por outro lado, o facto de os políticos britânicos retratarem a China como uma "ameaça" ou "um país hostil", aludindo ao debate que se abriu na sequência de uma eventual participação do gigante tecnológico Huawei no desenvolvimento da rede 5G no Reino Unido.
"Queremos ser vossos amigos, vossos sócios, mas se querem fazer da China um país hostil, terão de lidar com as consequências", advertiu Xiaming, que não adiantou quais as medidas a tomar por Pequim.
Na semana passada, o Reino Unido anunciou a intenção de alargar os direitos à imigração aos habitantes de Hong Kong, face à lei sobre segurança imposta por Pequim que, segundo Londres, constitui uma "manifesta violação" à autonomia da antiga colónia britânica, devolvida à China em 1997.
Nesse sentido, Londres adiantou que irá alterar os requisitos para se aceder ao passaporte britânico, facilitando-os, para permitir que os cidadãos de Hong Kong possam viver e trabalhar no Reino Unido e, a prazo, aceder mais facilmente à cidadania britânica.
Atualmente, existem cerca de 350.000 titulares do passaporte, número que quase duplicou desde o início da contestação em Hong Kong contra o poder central de Pequim, há cerca de um ano.
Cerca de 2,9 milhões de habitantes, todos os que nasceram antes de 1997, são também elegíveis.
A lei de segurança nacional, promulgada em fins de junho após uma onda de manifestações para exigir as liberdades fundamentais em Hong Kong, prevê a punição de ativistas separatistas, "terroristas", a subversão ou ainda as ingerências externas no território autónomo chinês.
Um porta-voz do primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, repetiu hoje que a lei de segurança constitui uma "manifesta e grave violação à declaração comum assinada em 1984 entre o Reino Unido e a China, que abriu as portas ao início do processo de retrocessão, culminado em 1997.
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