Dono do parque afirma que, devido à discriminação, aquele espaço é a melhor oportunidade de emprego que os anões têm no país.
Foi criado na província chinesa de Kunming um parque de diversões com um tema estranho: anões. Enquanto os grupos de Direitos Humanos o condenaram, os artistas que lá trabalham têm referido várias vezes que o parque melhora a vida deles naquele país.
Não são precisas grandes habilidades para os artistas do "Reino dos anões", apenas "três requisitos", revelou o criador Cheng Mingjing ao canal norte-americano ABC. São estas: "não ter doenças, não ter mais de 50 anos e não ter mais de 1,2m de altura".
No "Reino dos anões", um elenco de artistas e equipa técnica com menos de 91 centímetros dança e canta em fatos exóticos duas vezes por dia. Imitam dançarinas árabes, cavaleiros, reis e fadas.
Esta comunidade de 100 anões chineses, com idades que variam entre os 19 e os 49 anos, vivem juntos em dormitórios especialmente desenhados para a sua estatura reduzida, partilhando refeições numa sala de jantar comum. Os visitantes do parque podem ver o espetáculo num terraço e passear pelas estruturas em forma de cogumelo.
CRÍTICAS AO PARQUE
O parque custou, em 2009, 14 milhões de dólares a ser construído e foi da autoria do empresário Chen Mingjing, em 2009. Em entrevista ao jornal 'China Daily', o criador do parque afirma esperar que o "reino" ajude a "melhorar as vidas dos anões", já que eles "podem passar aqui o resto das suas vidas, se quiserem".
Cinco anos após o seu lançamento, o parque temático já recolheu, sem grandes surpresas, críticas de todos os lados. Grupos de Direitos Humanos como o Handicap International e o Little People America criticaram a "exploração" dos anões. Esta acusação é subscrita por Warwick Davis, um ator anão que afirma: "O que está a acontecer na China é segregação."
O porta-voz do grupo Little People of America questionou o jornal norte-americano 'New York Times': "Qual é a diferença entre isto e um zoo?"
No entanto, tanto o criador do parque como os seus moradores rejeitam todas as críticas e afirmam que o parque proporciona a única oportunidade de aceitação e prosperidade económica disponível na China. Os trabalhadores são tratados com respeito e ganham o suficiente para viver. O salário mensal deles varia entre o equivalente a 160 e 480 dólares, e um quarto para dormir. Os artistas falam em igualdade e aceitação no parque, o que não acontece fora da comunidade.
DIREITOS HUMANOS
"Quando saíamos de casa, éramos gozados", afirmou um artista de 23 anos à 'Vice'.
Em 2012, o Observatório dos Direitos Humanos lançou um relatório que afirmava que 40% dos 83 milhões de deficientes chineses eram analfabetos devido à discriminação praticada nas escolas em relação às crianças deficientes.
Hoje, os anões continuam a ser usados para entretenimento de formas ditas "condenáveis" um pouco por todo o mundo. No México, multidões juntam-se para ver os forcados anões a tourear e pagam entre 50 e 100 dólares só para ver. Também nos Estados Unidos, o "lançar o anão" tem sido condenado como algo cruel.
No entanto, é frequente que os participantes destas atividades se defendam e ao espetáculo que dão. "Se um anão conseguem lutar com um touro, consegue fazer tudo. É isso que queremos provar", comentou um anão toureiro sobre a sua escolha profissional.
Na China, Chen espera expandir o seu mini-reino à medida que a popularidade vai aumentando, apontando para uma equipa de mil anões. "Tendo em conta o atual panorama na China, eles não vão mesmo conseguir arranjar uma melhor situação profissional", admitiu Chen ao 'New York Times'.
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