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Chineses inauguram primeira carreira regular do Ártico

Rota Marítima do Norte permite fazer fazer chegar mercadorias da China à Europa em 20 dias, metade do tempo do transporte pelo Canal do Suez

21 de setembro de 2026 às 01:30

Uma empresa chinesa inaugurou este verão a primeira carreira regular de transporte de mercadorias pelo Ártico, reduzindo para metade o tempo de ligação entre a China e a Europa. O porta-contentores ‘Dubai Tower’ fez a ligação entre Ningbo, na China, e Teesport, no Reino Unido, em cerca de 20 dias, estando anunciadas mais sete ligações até ao final de outubro, quando a rota deixar de ser navegável.

O aquecimento global e o degelo veio permitir, durante alguns meses do ano, utilizar a Rota Marítima do Norte, que os chineses poderão transformar na nova Rota da Seda Polar. A alternativa reduz em cerca de sete mil quilómetros a distância entre a China e a Europa.

A utilização desta rota pelo Ártico para o transporte de mercadorias reduz assim o tempo de viagem de 40 para 20 dias e com ele os custos do percurso pelo Canal do Suez, sobretudo tendo em conta o atual contexto geopolítico, com a guerra entre os Estados Unidos e o Irão, que afeta a região.

A empresa Sea Legend inaugurou assim este verão a nova linha, tendo o primeiro porta-contentores saído da China a 15 de agosto e chegado ao Norte de Inglaterra a 9 de setembro.

A rota já foi usada por outras empresas de transporte de mercadorias, mas apenas pontualmente, podendo agora passar a ser usada no transporte regular, embora por períodos curtos, entre julho e outubro.

Por outro lado, mesmo durante o período mais adequado, a navegação pelo Ártico exige navios e tripulações preparadas para as condições agrestes daquela zona do globo.

“O nosso objetivo é transformar a rota num ‘canal alternativo importante’ e, eventualmente, permitir a navegação durante todo o ano dentro de cinco a dez anos”, disse Li Xiaobin, o diretor de operações da Sea Legend Line ao ‘Global Times’. “Isso a torna estrategicamente importante para a construção de um sistema de transporte marítimo internacional mais diversificado, eficiente e resiliente”, concluiu aquele responsável.

Ecologistas alertam para danos

Os ambientalistas têm chamado a atenção para os prejuízos nos ecossistemas da exploração comercial do Ártico, provocados nomeadamente pela poluição marítima, afetando a fauna e a flora existente.   

Degelo eleva risco de inundações costeiras  

Cerca de 12,5 triliões de toneladas de gelo dos glaciares na Gronelândia e na Antártida derreteram desde 1979, segundo um estudo publicado esta semana na revista ‘Scientific Data’, que alerta para um agravamento da vulnerabilidade das regiões costeiras. O degelo elevou o nível global do mar, desde então, em cerca de 3,1 centímetros, provocando um aumento no número de inundações.

O aquecimento da Terra está a acelerar o derretimento das duas principais camadas de gelo do planeta, mas cinco sextos desse derretimento não resultam do ar mais quente, mas sim de águas mais aquecidas que afetam as camadas de gelo à medida que os glaciares fluem para os oceanos.

“As camadas de gelo estão a derreter rapidamente”, disse o coautor do estudo Eric Rignot, especialista em gelo da Universidade da Califórnia, defendendo que o gelo que derrete nas regiões polares e a subida do nível do mar em todo o Mundo vão agravar a vulnerabilidade das regiões costeiras.

O estudo mostrou que nas décadas de 1970, 1980 e até meados da década de 1990 as camadas de gelo estavam relativamente estáveis, mas que durante a década de 2010 o derretimento começou a ocorrer e a intensificar-se drasticamente. *com agências

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