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Correio da Manhã

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Chineses querem saber "verdade sobre Tiananmen"

Estudantes no estrangeiro.
28 de Maio de 2015 às 09:13
A missiva recolhe detalhes sobre o que aconteceu na madrugada de 3 para 4 de junho de 1989, em Pequim
A missiva recolhe detalhes sobre o que aconteceu na madrugada de 3 para 4 de junho de 1989, em Pequim FOTO: Petar Kujunzic/Reuters

Uma dezena de universitários chineses que estudam no estrangeiro desafiaram o Governo chinês com uma carta dirigida aos seus colegas na China em que revelam "a verdade" sobre o massacre de Tiananmen, em 1989.


"Considerando os esforços constantes do Governo para encobrir o ocorrido e perseguir os sobreviventes e familiares das vítimas, senti que tinha a responsabilidade moral de elevar a voz e contar a verdade", justificou Gu Yi, aluno na Universidade de Georgia, que escreveu a carta e conseguiu o apoio de 12 alunos nos Estados Unidos e Austrália.


A missiva, publicada na Internet, recolhe detalhes sobre o que aconteceu na madrugada de 3 para 4 de junho de 1989, em Pequim, quando o Governo decidiu pôr fim a quase dois meses de protestos pró-democracia na capital e noutros pontos do país através do exército, que saiu para a rua com tanques e disparou contra os manifestantes.


O número real de mortos ainda é desconhecido, mas acredita-se que oscila entre as centenas e os milhares, com o Executivo a defender que este é um capítulo encerrado e a negar-se a comentar o assunto.


Para surpresa dos autores da carta, o diário oficial Global Times publicou, num editorial, uma resposta à carta em que acusa "forças estrangeiras hostis" de estarem por detrás da iniciativa, gerando o resultado involuntário de dar a conhecer ainda mais a carta.


"A sociedade chinesa chegou a um consenso para não debater o incidente de 1989 (...). Numa altura em que a China está a avançar, alguns estão a tentar apropriar-se da história, numa tentativa de dividir a sociedade", lê-se no texto.

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