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Correio da Manhã

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Chirac aprova lei mas com alterações

Numa decisão ambígua e de aparente cedência, o presidente Jacques Chirac anunciou à Nação, pela TV, que promulgou o contestado Contrato de Primeiro Emprego (CPE), mas que pediu ao governo duas emendas: a redução do período experimental de dois para um ano e a exigência ao empregador de justificar o despedimento. Chirac pediu ainda que nenhum CPE seja assinado até que estas modificações tenham sido feitas.
1 de Abril de 2006 às 00:00
“É tempo de normalizar a situação. (...) Na nossa República, quando está em causa o interesse nacional, não deve haver nem vencedores nem vencidos. Devemos cerrar fileiras”, afirmou o chefe de Estado francês, que com esta decisão salvou a face do seu delfim, mas poderá ter posto em risco a sua sobrevivência face à acesa contestação dos estudantes e sindicatos que deverá seguir-se.
As emendas que Chirac exige fazem eco às propostas que o primeiro--ministro Dominique de Villepin fizera aos sindicatos e estudantes, que as rejeitaram liminarmente.
Recorde-se que o chefe de Estado francês tomou esta polémica decisão depois de o Tribunal Constitucional ter considerado que o CPE não lesa a lei da igualdade de oportunidades ao permitir que empregadores despeçam sem justificação jovens com menos de 26 anos por um período de dois anos.
Reagindo à decisão presidencial, Bernard Thibault, líder da CGT, avisou: “Mantemos, mais do que nunca, a jornada de luta que convocámos para o dia 4.” Os ânimos ameaçam reacender-se.
EM DESTAQUE
PRESSÃO
Jacques Chirac sofreu pressões quer de Villepin quer da esquerda antes do discurso. Dez partidos de esquerda pediram-lhe solenemente para não promulgar o CPE.
BLOQUEIOS
Estudantes pressionaram com bloqueios de estradas e de vias férreas. Sindicatos estudantes e professores apelaram para concentrações por toda a França às 19H30.
PROVOCAÇÃO
Sindicatos e estudantes avisaram Chirac, antes de ele anunciar a promulgação, que a aprovação do CPE seria “uma prova de força e uma provocação”.
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