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Correio da Manhã

Mundo

CIA tem rede antiterror

A Agência Central de Inteligência volta a estar sob fogo dos Media com uma nova revelação.
19 de Novembro de 2005 às 00:00
A CIA tem estado na mira dos Media, que têm vindo a revelar a sua actuação na luta antiterrorista
A CIA tem estado na mira dos Media, que têm vindo a revelar a sua actuação na luta antiterrorista FOTO: Dennis Brack/ EPA
Segundo o ‘The Washington Post’, a CIA estabeleceu uma rede de centros de operações antiterroristas em mais de uma vintena de países da Europa, Ásia e Médio Oriente, onde colabora estreitamente com os Serviços Secretos locais. Estes centros nada têm a ver com as prisões clandestinas alegadamente existentes fora dos EUA, para onde são levados e torturados suspeitos de actos de terrorismo.
Os Centros de Inteligência Antiterrorista (CTIC, a sigla em inglês) foram criados após os atentados de 11 de Setembro pelo então director da CIA, George Tenet, e contam com a tecnologia mais sofisticada. Todos eles são financiados pela agência de espionagem norte-americana.
Ainda de acordo com aquele diário norte-americano, existe um CTIC multinacional sedeado em França, onde trabalham agentes franceses, britânicos, alemães, canadianos e australianos no combate ao terrorismo internacional. Refira-se que a colaboração entre agentes norte-americanos e franceses se manteve inalterável mesmo quando as relações entre Washington e Paris se crisparam devido às divergências sobre a invasão do Iraque em 2003.
Os centros tornaram-se, aliás, na parte crucial das missões da CIA, cujos agentes colaboram inclusivamente com países com quem os EUA não mantêm relações muito harmoniosas. É o caso da Indonésia, do Uzbequistão e do Iémen.
Efectivamente, apesar de o Departamento de Estado acusar Jacarta de corrupção e abusos dos direitos humanos, a CIA não tem descurado a colaboração com os seus Serviços Secretos. Do mesmo modo, embora Washington mantenha um discurso crítico quanto à actuação ditatorial de Islam Karimov, a CIA continuou a colaborar com os agentes uzbeques. No Iémen, com quem a Casa Branca não mantém relações fluidas a nível diplomático, a CIA mantém uma estreitíssima colaboração nos últimos quatro anos.
CAPTURADOS OU MORTOS
Num depoimento à porta fechada perante o Congresso dos EUA, um responsável de operações da CIA garantiu que praticamente todas as capturas ou eliminações de suspeitos levadas a cabo desde 11 de Setembro – três mil, no total – foram feitas com a colaboração de Serviços Secretos de países estrangeiros. Para o funcionamento destes centros, a CIA tomou como modelo as operações conjuntas contra o narcotráfico que os Estados Unidos realizam na América Latina e na Ásia. O ‘The Washington Post’ faz questão de salientar que estes Centros de Inteligência Antiterrorista não têm qualquer relação com as prisões secretas da CIA que existirão nomeadamente em países europeus, onde os suspeitos são questionados e torturados à margem da lei. Esta denúncia foi feita pela primeira vez pela Amnistia Internacional.
'PRISÕES SÃO UMA VERGONHA'
O eurodeputado do PSD e relator do Parlamento Europeu para o SIS, Carlos Coelho, mostrou-se ontem preocupado com a alegada existência de prisões secretas da CIA em países da União Europeia, afirmando ser uma vergonha se se confirmarem as suspeitas. “Se isto for verdade, é uma vergonha que haja Estados-membros da UE a praticar a tortura e a desrespeitar os direitos humanos”, declarou Carlos Coelho no final de um encontro com o secretário de Estado adjunto da Administração Interna, José Magalhães. “Não há provas que permitam garantir que isto existe, mas há um conjunto de informações publicadas por jornais norte-americanos sérios, como o ‘Washington Post’ e por organizações não-governamentais que merecem a maior credibilidade que nos deixaram preocupados.
O social-democrata adiantou que esta questão já foi debatida no Parlamento Europeu, que pediu à Comissão Europeia para averiguar a veracidade destas notícias. Também a Islândia, a Suécia e a Espanha estão a investigar alegações de que voos da CIA aterraram em aeroportos seus para a transferência de suspeitos de terrorismo. Recorde-se que os EUA não confirmam nem desmentem a existência destas prisões secretas.
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