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Correio da Manhã

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Quarentena prolongada faz disparar divórcios em cidade chinesa

Isolamento deixou algumas consequências inesperadas na cidade de Xiam.
Beatriz Madaleno de Assunção(beatrizassuncao@cmjornal.pt) 26 de Março de 2020 às 20:13
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Depois de abandonarem o período de quarentena - medida necessária para evitar a propagação do coronavírus - a China parece ter voltado à normalidade. No entanto, o período de isolamento deixou algumas consequências inesperadas. Muitos casais parecem não ter resistido à proximidade imposta em tempo integral e decidiram divorciar-se.

Os meios de comunicação chineses identificaram uma corrida aos notários, onde muitos casais mostraram vontade de pôr termo ao casamento. Em Xiam, cidade com 12 milhões de habitantes (capital da província de Shaanxi) registou-se um recorde no número de pedidos de divórcios nas últimas semanas, de acordo com informação avançada pela BBC.

A mesma fonte, que cita o The Global Times, mostra que em alguns distritos, os horários disponíveis para tratar desse tipo de assunto estão com as reservas preenchidas.

Nas redes sociais, a notícia não chegou a causar surpresa entre os chineses. "Foi muito tempo juntos. Tenho visto cada vez mais histórias sobre separações e muitas piadas também. Mas o problema parece sério", disse à BBC News Brasil, Ge, uma professora de 29 anos.

"Estes episódios fazem com que as pessoas pensem mais nas suas vidas e no que realmente interessa", afirmou à BBC News Brasil a escritora Lijia Zhang. "É verdade também que os casamentos que sobreviveram à quarentena devem seguir mais fortes.", concluiu.

Este fenómeno é, no entanto, difícil de analisar para já, uma vez que as pessoas estiveram muito tempo em isolamento e o divórcio podia ser uma vontade há algum tempo reprimida.

Em 2016, o número de casais que se separou na China chegou a 4,2 milhões, um aumento expressivo em relação a 1985, quando a taxa não passava de 485 mil. Os especialistas avançam que um dos motivos para esse acontecimento é o facto de as leis estarem a mudar progressivamente.

Atualmente, 70% dos divórcios são requeridos pelas mulheres, de acordo com a mesma fonte.

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